Sonho e ilusão

Copiando Eça de Queirós, o futebol do Atlético estava velho, estonteado e comido das magrezas.

Já tinha melhorado um pouco com a vinda de Adilson Batista para lhe treinar. Adilson, além de bom técnico e homem honesto, é atleticano de sangue. Em razão desses atributos, e em decorrência de sua origem, o que fala e o que pede tem peso moral, o que é raro neste profissionalismo de acertos às escondidas.

Parecendo doente da garganta, o futebol do Atlético estava mudo. Mas agora apareceu Alfredo Ibiapina, um empresário bem sucedido do setor do ramo de segurança, que tem uma virtude: é atleticano de arquibancada do setor da Getúlio Vargas da Baixada. Já havia passado um bom tempo que não se via um dirigente atleticano perder o medo e a humildade. Pois Ibiapina falou: “Eu quero ser campeão do Brasil.”

Dirão que é um sonho, uma ilusão. É aí que provoca entusiasmo: um fato começa com um sonho, estimulado pela ilusão de poder alcançá-lo. E o resultado dessa nova ordem já é visto na prática. Depois de muito tempo, o Atlético conseguiu contratar três grandes jogadores: o volante Paulo Roberto, que já está em jogo, o meia Cleber Santana e o excepcional zagueiro Fabrício.

O Atlético vai estrear amanhã, no Brasileiro, contra o Galo, em Minas. No mínimo, terá a alimentá-lo sonho e ilusão. Para quem nada tinha no futebol, já é um bom começo.

Final

Não escrevi sobre o empate sem gols do Coritiba com o Ceará, em Fortaleza. E não o farei mais, pois uma notícia, hoje, fica velha em uma madrugada.

Mas como havia escrito na quarta-feira, o jogo de Fortaleza decidiria em tese o futuro dos coxas. E foi o que aconteceu: o empate sem gols devolveu a lógica como fundamento único para qualquer analise sobre o jogo de volta, no Couto Pereira. Por ser bem melhor que o Ceará, o Coxa irá à final do torneio. Nós, da outra banda, diríamos: mas futebol tem surpresas. Só que as surpresas estão em férias.

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