Explicar para uma torcida as razões de um ato praticado, ou a ser praticado pela diretoria do clube, não é tarefa fácil. Requer inteligência, oratória, crédito e principalmente carisma do dirigente. Do locutor do fato depende a reação da torcida. Se atender estes requisitos, o fato pode não ter conforto de imediato, mas com o tempo vai sendo absorvido.
Quando anunciou a política de preços para a Arena, o Atlético incorreu em um grande equívoco de marketing: o locutor deveria ser Mário Celso Petraglia. A contestação pelo valor econômico do projeto bateria nas razões de quem fez e promete muito pelo clube. Mas ao deixar um outro anunciar o plano, sem nenhum daqueles requisitos e principalmente carisma, o Atlético abriu uma cisão com a sua torcida e viciou o projeto que tinha.
O pior de tudo é que não aprendeu a lição. A setorização da reta inferior da Getúlio Vargas, que está sendo estudada sem trazer prejuízos ao valor de R$ 15,00 e sem desobedecer a ordem judicial, pode ser tumultuada em razão da vaidade da exposição pública. Ao confirmar o projeto de público, o ingênuo e vaidoso Dr. Fleury deveria pelo menos explicar bem os seus elementos. Mas desconhecendo-os, desencadeou uma nova reação materializada com a absurda proposta do ETA de ir ao Ministério Público para afastar os atuais gestores. A vaidade do dirigente e o caráter populista da proposição não devem ser levados em consideração, sob pena de repercutir ainda mais em prejuízo do Atlético.
O estudo que está sendo procedido é honesto e não irá provocar a elitização. Haverá preço para todos os gostos e para todos os bolsos.
Poderá entrar bumbo, reco-reco e cuíca. Bandeira, bandeirolas e faixas.
O que não pode é ser intransigente como se fosse dono do clube. Nem dirigente e nem torcedor.