O jogo era na Vila Capanema entupida de atleticanos. Mas, o Atlético perdeu para o Vélez Sarsfield, pela Copa Libertadores, 3×1. Já havia perdido em Buenos Aires, 2×0. E não foram derrotas provocadas pelo casuísmo, pela injustiça ou por erro de arbitragem.
Sejamos sinceros: se amanhã, esses mesmos times de Atlético e Vélez jogassem outra vez, em qualquer lugar, é possível afirmar que o time argentino ganharia.
A explicação não exige defesa de tese. No futebol, é indispensável a organização tática treinada para ser executada. Não se pode dispensar, também, a entrega física e emocional ao jogo, que se conhece a exaustão. Mas esses detalhes são simples, quase acessórios, diante do detalhe fundamental no futebol: a qualidade na posse e no chute da conclusão das jogadas para o gol.
O Vélez não ganhou porque foi melhor. Ganhou porque é melhor. A qualidade técnica dos seus jogadores, que facilita a organização tática, prevaleceu diante das limitações individuais desse Furacão. Isso não é teoria, é fato: os argentinos tiveram três chances com Allione, Pratto e Canteros e fizeram três gols. O Atlético mesmo jogando desequilibrado, jogou fora gols que nem mesmo o direito ao erro pode explicar como foram os gols perdidos por Bruno Mendes, Marcelo e Douglas Coutinho.
Inferioridade técnica em razão da qualidade só pode ser compensada com organização tática, que permita o time compensar as suas deficiências. Mas, como remeter a culpa para o técnico, se os gols achados foram jogados fora por falta de qualidade do chute. E, aqui, entre nós, que ninguém nos leia: é muita pretensão não aceitar como natural uma derrota para esse time do Vélez, com Sueliton e Natanael nas laterais, João Paulo, Paulinho Dias e Mirabaje no meio, e Bruno Mendes e Douglas Coutinho no ataque.