São de amargar os números do Atlético. De nove pontos, ganhou dois. Dos três jogos, dois foram sob o seu mando. Nos dois, ganhava por 2 x 0 e fraquejou. Agora, jogando fora, a tendência lógica é perder. Quando voltar, então, poderá estar com o nome riscado em vermelho. Eu avisei: é time de Segunda Divisão, não me surpreende.
E quando um time é de segunda, o que aparentemente era exceção, quando exigido, torna-se fraco. É o caso da zaga com Manoel, Cléberson e Botelho. Com Manoel, o Atlético vem sofrendo gols de bola área há cinco anos. E Luiz Alberto, ex-atleta, é o único reserva.
O comando frio e impessoal, como se o futebol fosse um negócio sem paixão, só dinheiro, e fosse exclusivo de um clã, torna o atleticano um solitário. Sem ter com quem falar, resta-lhe o escape de pedir Paulo Baier no meio do jogo e chamar o técnico de burro.
Agora, o atleticano está se transformando na pior espécie de solitário: o iludido. É que está vendo um time bem disposto, dominando o jogo, ganhando com sobras, mas que fracassa no final. Pensa que é simples detalhe, que um novo técnico vai resolver. Engana-se. Dominou o Cruzeiro, por que o jogo foi num pasto; dominou o fraco Flamengo, mas foi incapaz de se submeter à pressão de quatro minutos, deixando empatar. Um time que joga bem, domina e ganha do adversário por um bom tempo, e depois se deixa envolver, não se corrige com pequenos detalhes.
A clássica convenção sugere a saída de Drubscky do comando técnico. O professor é mesmo inusitado. Conhece futebol como acadêmico e, por isso, o Atlético está sempre organizado, às vezes ganhando. Mas um jogo não é aula de teorias. E quando se reclama atos práticos, Drubscky é um desastre. O professor se lambuza, como fez quando tirou Felipe e Ederson em Joinville.
Mas o risco de demitir Drubscky é ter Antênio Lopes no cargo. Quando a fraqueza é de origem, só um milagre resolve com soluções aparentes.