Sobrecarga desumana

Foto: Hedeson Alves

No futebol, há um custo para ser famoso e ganhar dinheiro: em regra, ter que que absorver como natural as opiniões da crítica e de torcedores. Talvez, lá adiante, o patrimônio ganho afirme que valeu a pena.

Bem por isso, a vida do Athletico pode se tornar um inferno a partir de hoje, em Fortaleza, quando estreia na Copa do Brasil. Se antes já carregava o peso do seu brilho técnico nas vitórias da Baixada ser atribuído, também, à grama sintética, a partir de hoje terá que carregar uma carga bem mais pesada.

A consequência do caso de doping, mesmo que a responsabilidade tenha sido assumida pelo clube, obriga o Furacão a provar o que tem e o que o vem consagrando: um futebol honesto.

Os efeitos do caso não se projetaram apenas contra Tiago Heleno e Camacho. Esses, por terem sido citados, estão tendo que absorver publicamente os danos do ato confessado pelo clube. Mas esses, indiretamente, estão alcançando todos os jogadores do Furacão, por terem sido remetidos para um estado de suspeição. Se na vida privada a suspeição já causa um abalo psicológico, na vida pública ela se projeta como um fato consumado.

É isso que eu afirmo: a consequência do caso transferiu para os todos os jogadores uma sobrecarga desumana de responsabilidade pessoal e esportiva. Qualquer derrota, as análises inconscientes irão associar à falta da nutrição proibida. Por conta dessa negligência da direção, os jogadores do Furacão tiveram subtraído o sagrado direito de cansar e de perder.

A partir de hoje a importância da vitória ou da derrota do clube será dobrada.

Rafinha

A contratação de Rafinha pelo Coritiba não pode ser encerrada pela análise técnica, porque são notórias as suas qualidades de atacante. Seria afirmar o óbvio. A importância está no fato de que Rafinha, entre outras propostas, quis vir voltar para o Couto Pereira. Quando um jogador manifesta a vontade voltar para um clube, sob condições absolutamente diferentes das que viveu, ganhando menos para jogar uma segunda divisão, há uma boa parcela de ideal.

Com Wilson no gol, Rafinha e Rodrigão no ataque, diminui bastante as suas carências. Agora, vai precisa de um bom meia que faça a bola chegar.

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