Soberbo

Ao acabar o jogo Atlético 3 x Palmeiras 0, lembrei de Nelson Rodrigues. O grande escritor ensinou, que às vezes, a humildade é um equivoco humano. Atleticanos, chega de humildade. Convoco-os à prepotência e a soberba. Saiam as ruas, exclamando: o Furacão está demais!

A vitória sobre o verdadeiro “Verdão” foi uma dessas jóias raras, que pouco se vê. O placar de 3 a 0, em regra, joga no vazio qualquer análise. Mas seria injusto encerrar esta vitória do Atlético só com os números. É preciso escrever mais, e se for necessário grifar, que foi uma vitória isenta de dúvidas e de suspeitas. O Furacão foi tão espetacular, que autorizou o seu povo a sentir a vitória desde que a bola rolou, ultrajando o Palmeiras. O gol de Ederson, no primeiro tempo, que foi o primeiro, apenas anunciou o corolário que estava por vir, o clássico 3 a 0 e o avanço na Copa do Brasil. Sem exagero, foi uma vitória tão grandiosa, que nem sofrer foi preciso.

Mas, agora, falemos de Ederson. De que planeta ele veio? Sei: a cara e o jeito não negam que é nordestino, lá do sertão do Ceará. Se não soubesse que é de Pentecoste, pensaria eu que era de Quixaramobim, e que antes de fazer gols comia gilete.

Parecendo algo patológico, Ederson tem fúria de gol. É impossível controlá-lo. E se fosse só a velocidade, o pleno conhecimento da área, a consciência para acompanhar o lance, e a incrível capacidade de finalização com qualquer perna, tem uma outra virtude: a estrela. Do jeito que chuta, entra, como no primeiro gol. É tão iluminado, que deve estar sendo guiado pela estrela que levou Melquior, Baltazar e Gaspar a Belém.

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