Quem foi, gostando ou não, saiu emocionado; quem assistiu por curiosidade, ficou impressionado. Espetáculo visual de tamanha beleza, embora não seja um esporte o UFC, que transformou a Baixada em uma Las Vegas, embora seja coisa de americano, a torcida atleticana, só poderá ver, se um dia o Furacão voltar a jogar uma final de Brasileiro. E pelo jeito vai demorar.
Uma derrota para o Palmeiras, em especial com um time trabalhado por Cuca, está na conta da lógica. E tudo que é lógico pode pode ser remetido ao campo da normalidade. Mas perder de quatro a zero como o Atlético perdeu provoca terríveis dúvidas para uma torcida que esperava o mínimo.
Entre todas, eis a grande dúvida: os números do placar significam o resultado da diferença de times? Necessariamente, não. A causa imediata, que foi a excelência tática tática do jogo do Palmeiras, tem que ser obrigatoriamente associada aos erros do Furacão: táticos, em razão de um esquema conservador, sem velocidade, que prioriza a troca de bolas sem poder, pela falta de laterais e de meias de talento; e individual, porque uma zaga com Leo, Paulo André, Tiago Heleno e Sidcley, sem proteção, é um suicidio, não resistindo a mínima pressão de um adversário intenso.
O Atlético teve algo de equipe ingênua, enganando a si próprio. Sem chutar uma única bola ao gol de Fernando Prass, tornou-se uma brincadeira para o razoável Palmeiras. A sensação que ficou foi que Paulo Autuori e os jogadores deram muito valor à supremacia que tiveram contra o Coritiba. A repercussão ideológica da vitória produziu neles um juízo de superioridade, que não existe sem o ânimo da rivalidade causado pelo ambiente caseiro.
Paulo André nem deveria ter saído de casa.
Vitória
Vejam só o benefício que a plena consciência das coisas produz no ser humano. Os coxas, ganhando consciência das suas fraquezas nas finais com o Atlético, absorveram naturalmente o fracasso. Esqueceram-no. O resultado foi um jogo tão correto que produziu uma vitória (1×0) sobre o Cruzeiro, no Couto Pereira. E não foi apenas uma vitória produzida de gol isolado. Embora tenha sido único, o gol de Kléber foi consequencia de um jogo correto, sério, bem projetado em cima das limitações do Cruzeiro. O Coritiba foi tão superior que o goleiro Fábio foi o melhor em campo.