Só muda o endereço

Um dos mais graves vícios da cultura do futebol brasileiro é o desvio de comportamento do dirigente. Por mais atributos pessoais que tenha, em um dado momento contraria-os. Daí, embora consciente dos seus erros, nega a sua autoria. Como não pode escondê-los, pois são fatos consumados, coloca-os na conta de terceiros. É a hipótese da transferência de responsabilidade. É a covardia em estado bruto.

Leio na matéria do repórter Luiz Ferraz, da Tribuna do Paraná, que “a chapa de Eduardo Baptista está esquentando”. Essa figura de linguagem, que desceu do morro e foi transportada para o futebol, quer dizer: o treinador Eduardo Baptista pode ser demitido do Coritiba”.

O fato é verdadeiro, e é rolado como verdade, às escondidas, nos corredores do Couto. Não me surpreende.

É que os cartolas coxas já não têm mais argumentos para defender os seus erros nas contratações. Não podendo negá-los, criam hipóteses que possam salvá-los. Nesses casos, o dirigente abandona a coerência como virtude, rasga seus princípios, e transfere a culpa para o treinador.

Concordo que há hipóteses em que o técnico é o responsável. É recente o exemplo de Fernando Diniz, no Atlético. Protegido pela incapacidade de Mário Celso Petraglia em tratar de futebol como esporte, criou no CT do Caju um ambiente anárquico, de espirito carnavalesco, sob o pretexto de antecipar o futuro das táticas do futebol. Tiago Nunes, um simplório gaúcho, há 30 dias vem mostrando que o futebol não aceita invenções.

Se há alguém no Coritiba sem culpa ou responsabilidade é Eduardo Baptista. Talvez a sua única culpa esteja no fato de aceitar ajudar o clube, que implantou uma política de contratações de clube pequeno, quase marginal, como se não tivesse obrigações com a sua torcida.

Inusitado

O Paraná é um clube diferente, não se pode negar.

Uma nota oficial, em regra, é publicada em benefício e interesse do clube. Daí, dentro dessa regra, ser assinada por um dirigente estatutário.

Mas no Tricolor a coisa toma outro rumo. Um funcionário tem poderes para assinar uma nota defendendo a si próprio, e relatando dados da privacidade do clube.

Provando ter mais autoridade de que alguns dirigentes eleitos, Rodrigo Pastana, um funcionário, divulgou uma nota oficial para combater as criticas de torcedores, que vem recebendo.

Se o Paraná é diferente, Pastana é inusitado.

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