Sistema inglês

Existe um filme nas locadoras de nome ?Morte ao Rei?. Conta como, há três séculos e meio, a Revolução Gloriosa de Cromwell acabou com a monarquia absoluta, cortando uma única cabeça: a do rei. Então, os ingleses adotando o parlamentarismo, aprenderam a respeitar as suas instituições. E sem código ou Constituição.

Foi centrada nestes trezentos e cinqüenta anos que Margareth Thatcher pôs ordem nos estádios de futebol da Inglaterra. Mas o custo não foi baixo: mais de duzentas mortes, de dez mil prisões e condenações e de 3 bilhões de libras para arrumar os estádios, educar a torcida pela mídia e dar um preparo especial à polícia. Educada não apenas por ser inglesa, mas por temer a lei dos estádios, a torcida parece ser constituída de anjos. O que separa o público do campo é uma lei que o povo sabe que, violada, será aplicada.

O Atlético, inspirado no modelo inglês, realiza estudos, debate com a polícia e provoca a Federação Paranaense de Futebol para dizer sim ou não. No fundo, presumo, quer ouvir sim: transformar a Arena da Baixada definitivamente em uma arena inglesa, sem nenhum obstáculo entre o povo e o campo.

Na Inglaterra há uma sistema e contínua vigilância sobre torcedores fichados e propensos à prática da violência. De acordo com o grau emotivo do jogo, são comunicados previamente para não ir ao estádio.

Não adoto a máxima vulgar, que a cultura do nosso povo não autoriza essa idéia. É que um dia o nosso povo terá que mudar esta cultura, deformada e incentivada pela impunidade. Um dia nós teremos a cultura que controla os ânimos, os sentimentos e o físico em um lugar público. Um dia esta cultura que incentiva a violência terá que receber um choque definitivo. Mas fico a imaginar um Atletiba na Arena da Baixada sem fosso, sem alambrado, sem lei e sem respeito às instituições.

Não sou contra ao contínuo cuidado com a Arena. É preciso, pois assim não irá envelhecer como todos os grandes estádios do futebol brasileiro – alguns em sucata, outros recebendo cuidado de aparência. Mas entre preservá-la com a execução de projetos modernos, como a parceria, e adaptá-la ao sistema inglês, é preciso muita coisa. Deus queira que se materializada a idéia, não seja ao custo de mortes e do patrimônio do Atlético com indenizações.

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