O Botafogo já foi um dos maiores do Brasil. Nos tempos de Nilton Santos, Garrincha, Didi, Sicupira e Zagalo era a segunda maior atração do futebol brasileiro. Só perdia para o Santos de Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Embora tenha diminuído, o Botafogo ainda é capaz de provocar multidões e lotar o Maracanã em dia de decisão. Mas, agora, em dezembro, seu novo presidente Nelson Mufarrej foi eleito com minguados 816 votos em um total de 1.100.

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O Fluminense é o pedaço rico e burguês do Fla-Flu. Quando está em baixa, todas as gerações de tricolores aparecem de todos os cantos do Brasil. Mantém a nobreza, comemorando as grandes conquistas dentro e fora de campo bebendo champanhe Moet & Chandon Dom Perignon, em taças de cristais Wolff. Pois, vejam só. Há pouco, esse Fluminense ganhou um novo presidente: Pedro Abad eleito com 2.126 votos de um total de 5 mil votantes.

Entre nós, tome-se o exemplo do Coritiba. Já foi o mais popular de Curitiba, mas há tempo deixou de sê-lo. No entanto, mantém o seu poder popular porque as gerações que surgem são fiéis, se não a ele, mas à herança que recebem. Com esse poder, em uma eleição concorrida, elegeu seu novo presidente Samir Namur com 1.070 votos do total de 2.835 votantes.

Mas, o maior exemplo do desprezo aos clubes como instituição associativa, foi dado no sábado que passou, pelo Corinthians que tem 30 milhões de torcedores. Um insignificante número de 1.235 votos, de um total de 3.642, elegeu Andrés Sanches seu novo presidente. A posse de Sanches foi inusitada: apanhando dos derrotados, assumiu o cargo no banheiro feminino do Parque São Jorge e saiu ocultamente para se esconder em casa.

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As eleições como exemplos são apanhadas por serem as mais recentes. Mas, todos os outros clubes da Série A são assim: um presidente é eleito por um número insignificante de sócios diante de seu poder popular de arquibancada. E o mais grave é o caráter desprezível de uma eleição assim, não está apenas nos números como fato matemático, mas pelo vício moral, pois boa parte (muitas vezes, a decisiva) é manipulada através de compra e acertos com torcidas organizadas.

Mas a consequência maior desse estado do futebol brasileiro, é a de que o sistema associativo, sem fins financeiros, das entidades de prática de futebol que se mantém no Brasil está quebrado e falido. Elege-se um dirigente com um número mínimo de sócios. E o cartola acaba dono do clube, e às vezes, até do dinheiro.

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O tema continua amanhã.

Essa coluna é uma homenagem a Roberto Karam. Atleticano e dos grandes. De corpo e de alma.