O saudoso jornalista Marcio Moreira Alves escreveu certa vez que “todos nós, repórteres, sofremos da síndrome do óbvio. Vemos o que é evidente, custamos mais a ver o importante”.

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Se tivesse uma lei que obrigasse os clubes a adotarem a natureza jurídica de uma sociedade anônima ou limitada por quota, o futebol brasileiro estaria paralisado. Nenhum clube seria capaz de atender a mínima exigência, pois todos na pratica não têm um patrimônio sem ônus. Como empresas, submetidos ao prazo da Lei da Recuperação Judicial que é dois anos, todos os clubes iriam à quebra.

Nós, jornalistas, também carregamos uma boa parcela de culpa. Criamos a cultura do óbvio que é o resultado de campo, não estendendo-a aos interesses contínuos de um clube. Direta ou indiretamente, acostumamos o torcedor a associar a sua preocupação com as vitórias em campo.

Escrevi e reafirmo: a natureza jurídica dos clubes do futebol brasileiro, que é a de uma associação sem fins lucrativos, constitui um sistema corroído que só atende o interesses do falso idealismo. Não importa o número de sócios. Por mais expressivo que seja, não há nenhuma influência na eleição de uma diretoria. Ao contrário, quanto menor o número de sócios, mais fácil é manipulá-los em uma eleição para que seja prevalente os interesses pessoais do dirigente.

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O ideal máximo do dirigente no futebol brasileiro foi reduzido a uma troca de favores, sob o pretexto da profissionalização. Forçando o fundamento, é possível afirmar que do presidente ao ponta esquerda não há quem não tenha um benefício nesse sistema “sem fins lucrativos”. Na prática, não se elege mais o dirigente, mas se elege alguém que vai praticar atos que só responsabilizam o clube, permitindo que o eleito saia no lucro.

O futebol brasileiro precisa com urgência acabar com as entidades associativas. Os clubes, sendo de dono (no sentido jurídico), este terá a preocupação de não correr aventuras, pois do contrário, o falido será ele. E aí, nós torcedores podemos exigir tudo e não sofrer tanto.

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