Cresci ouvindo dizer que futebol é para quem conhece. Uma santa ingenuidade até certa altura da vida me fez acreditar que o futebol não era um arte, mas uma ciência complexa resolvida por fórmulas e esquemas.
Agora, nesta altura da vida, acho uma grande mentira: o futebol no plano objetivo se resume à simples ocupação de espaços. Ocorrendo essa ocupação com o mínimo de qualidade individual, há no mínimo equilíbrio, que torna lógico qualquer resultado. Mas futebol é simples por ser muito mais: contradição, imprevisão, alienação às circunstâncias que surgem durante um jogo, às vezes, mais decisivo do que o plano objetivo.
Escrevo em tese, mas há um recente episódio que explica o quanto o futebol é simples: a vitória grandiosa do Atlético, na Baixada, sobre o belo Santos, 1×0.
O Furacão não jogava mal, mas não evoluía até o gol de Vanderlei por uma dessas contradições: Walter, que, ainda, se supõe ser o melhor jogador do time, pediu para sair por causa da velha e tradicional dor na coxa. Para substituí-lo, Vinicius, que anda à margem dos planos de Autuori. Vinicius entrou e mudou o jogo, pois passou a ocupar um espaço no meio que Walter, não o conhecendo, o desprezava. Resultado: o Furacão evoluiu, jogou a bola na trave (Pablo), perdeu um gol (Vinicius), e marcou no final com Paulo André, de bola vinda de Vinicius.
O Atlético ganhou porque atendeu todas as exigências do futebol: usou a contradição, por uma solução improvável, que é trocar o craque (Walter) pelo jogador marginalizado (Vinicius), ocupou os espaços que deixava vazio, e esperou o gol como consequência natural de fazer do futebol uma arte que se torna simples desde que bem executada.
Vinicius mudou o jogo e deu a bola para Paulo André marcar.
Mas Paulo André já vinha jogando bem e, ainda, marcou.
Quem foi o melhor?
Caindo
Estão culpando o goleiro Wilson pela derrota do Coritiba, em Belo Horizonte, para o América-MG, por 2×1. Concordo a bola rebatida para o meio da área, concorre para o eventual gol adversário. No caso, a falha de Wilson concorreu com o erro tático de avançar a zaga, como, aliás, Pachequinho vem usando. O rebote é um fato do jogo e por isso tem que ser previsto.
Sem qualquer força para reagir, o Coritiba mostrou que precisa urgentemente tomar providências sobre o seu comando técnico. Define Pachequinho, com o ônus e bônus do cargo, ou traz um outro treinador.