Símbolo

A questão nuclear da contratação de Kleber “Gladiador” pelo Coritiba não se esgota no pesado ônus que ela irá exigir, tampouco na discussão técnica, embora os dois fatos tenham relevo.
A questão é usar a contratação como um simbolismo da submissão do dirigente, que por não ter capacidade para dar solução baseada na racionalidade, prefere usar o velho expediente do populismo, que é a contratação de um jogador famoso.

Não se pode analisar a contratação sem associá-la aos precedentes de Kleber. Foi desprezado pelo mercado que sempre o quis, em razão do seu histórico de contusões e confusões, que o impede de jogar regularmente há um ano, o que implica em qualificá-lo como inativo. A busca de satisfação pública às vezes confunde-se com um ato imaturo, com tendência a ser irresponsável.

Vejam os coxas se não tenho razão. Há seis meses, ganhou-se uma eleição com o discurso da modernização do clube, através de um projeto técnico que tinha como núcleo a reposição pela renovação e o respeito ao patrimônio pelo limite de orçamento, sem desprezar o objeto social da entidade, que é o futebol. Em razão da incapacidade de gerenciamento do futebol, empanturraram o clube de jogadores sem qualidade. Resultado: o Coxa perdeu o título estadual para o Operário com duas derrotas históricas e agora faz quase um mês que não consegue sair da zona de rebaixamento no Brasileiro.

Por conta disso, terá que pagar a indenização de 500 mil reais para Marquinhos Santos e ter um gasto mensal próximo de 300 mil com Ney Franco, um treinador que não tem garantia de um mês. E, ainda, tenta apagar o caso dos 200 mil da campanha de Gomyde para a FPF, e que agora Gomyde diz nunca ter recebido. O novo Coritiba errou tanto que perdeu o argumento até razoável que tinha, que eram as dívidas herdadas.

Quem faz um gasto milionário em seis meses para demitir e contratar dois treinadores, um gasto milionário para trazer um atacante que desagrega e se machuca, que fez um investimento na campanha de um terceiro estranho como Gomyde, não pode mais reclamar de nada. Bacellar, Pedroso e Macias absolveram para sempre Vilson Ribeiro de Andrade.

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