Silêncio

No futebol, o sucesso pode ser ocasional, passa rápido. Acontece, quando a vitória aparenta um estado que não é real. Pode ser o caso do Coritiba, ainda não se sabe. A sua boa campanha no Brasileiro era tão improvável que já ganha características de surpresa até para a sua torcida. Só que o sucesso, mesmo de caráter inesperado, pode criar uma regularidade pelo que denominam autoconfiança, superando deficiências. Os Coxas perdiam de 2 x 0 para o Flamengo, mas, sem trauma, reagiu em razão dessa consciência de que poderia fazê-lo. Empatou: 2 x 2.

Mas o fracasso, quando decorre de fatos previstos, incorpora-se como rotina e se transforma em uma tendência. Tendências quando são de natureza negativa tornam-se quase irreversíveis. O Atlético está dando o exemplo dessa verdade.

Já se sabia que o time é fraco por ter sido formado para uma Segunda Divisão. Já se sabia que não bastava o tempo para tornar um time ruim em bom. Já se sabia que o técnico Drubscky tinha muita dificuldade para encontrar o equilibrio entre as funções de defender, marcar e atacar. Já se sabia, por que Petraglia confessou, que não haveria sensibilidade para o resultado de campo, o que significa de que nada significante será feito.

Poder-se-ia concordar com a hipótese de ser um ano de sacrifício. Mas nem sacrifício está sendo feito, porque mais de 100 jogadores foram registrados desde janeiro de 2012. Já se sabe até o que o presidente vai escrever em suas cartas. Já era previsto tudo, mas não se fez nada e não se fará nada. Não há mal pior do que a resignação com o fracasso. No canto de Garfunkel & Paul Simon, os atleticanos estão vivendo no murmúrio do silêncio.

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