Copiando Manuel Bandeira, pergunto-me: sobre o que você vai escrever? Deveria escrever sobre o Coritiba, que entre os nossos, faz o jogo mais importante, contra o Vasco, em São Januário.
Mas vale teorizar sobre um time que ainda não definiu seus objetivos no campeonato? Seu treinador, Dorival Júnior, é mesmo inteligente: mais do que querer alcançar um objetivo (todos querem), ele é consciente dos limites do time. Por isso não ilude. Não se ilude. Daí o silêncio.
A sinceridade de Dorival é uma das virtudes, que todo o técnico deveria ter. A partir dela, um time se adapta com mais facilidade à realidade que lhe é posta, o que torna mais viável o alcance dos objetivos.
Em tese, o Coritiba deve se dar bem em São Januário.
O jogo não deve ser muito diferente daquele de Santos: o adversário precisa ganhar. E o Vasco é fraco.
Mas o silêncio de Júnior, também, provoca dúvidas. Afinal, é um silêncio.
Se Manuel Bandeira, que escreveu uma antologia de prosas, às vezes, tinha dúvida sobre o que iria escrever, imagine eu um pobre coitado, com o coração em pedaços, por minha filha Betina, estudando fotografia, bem longe no Canadá, e o Atlético tão perto da segunda divisão.
Acabei escrevendo sobre os coxas.
Ah! os coxas. Estão dando exemplo do que é uma instituição popular. Foram rebaixados, e ficaram um ano na segunda divisão. Engalfinharam-se em um processo político, que dividiu o clube em três alas, com três candidatos. Tinha candidato para todos os gostos. Quem tinha o poder de mando perdeu. Quando a eleição de um clube é decidida pela ideologia, e não pelo exercício do poder, muito menos pelo casuísmo estatuário, é sinal de grandeza.
Os coxas não têm o senhorio presunçoso, vaidoso e arbitrário. Todos são fiscais e oposição de si próprios.
Mas hoje o Atlético tem que ganhar do Náutico.
Depois pensa um pouco mais na vida que deve viver.