A pergunta que Curitiba não consegue calar: os coxas irão cair? O mais grave é que, carregando um silêncio de derrota, eles próprios se perguntam: cairemos? É um ambiente tão pessimista que de repente o Coritiba passou a ser nada, e a Chapecoense foi transformada em um time de invencíveis. Esquece-se que o Coritiba vive de uma história, e a Chape vive de uma tragédia.
Nos tempos em que havia o mínimo de ideal, era possível reclamar no exercício da profissão, também, o sentimento pelo clube. Mas hoje já não é possível. Por faltar relação, a insensibilidade profissional tem a capacidade de absorver naturalmente um fato. O sentimento do vestiário pelo fracasso não dura uma madrugada.
Não faltam motivos e nem culpados no Alto da Glória. Entre tantos que remeteram os coxas à esse estado temerário, está o resultado negativo da equação do custo benefício de Kleber, o Gladiador. Jogou pouco e custou muito. O jogar pouco não é no sentido técnico, mas pela ausência provocada pela indisciplina. A sua saída não repercutiu apenas no aspecto de campo, mas no núcleo de confiança do próprio time.
É o jogo que Kléber tem que prestar contas ao Coritiba.
Melancolia
Contra o Palmeiras, na Baixada, o Atlético vai se despedir.
Seja qual for o resultado, será uma despedida cheia de melancolia.
Fracassou no Estadual, com uma derrota humilhante para o Coritiba na Baixada (3×0). Desprezando a si próprio para atender as ambições materiais, foi jogar contra o Santos, em Vila Capanema, a partida mais importante do ano. Eliminado da Libertadores em razão desse fato, foi humilhado pelos gaúchos do Grêmio na Copa do Brasil. Não revelando nenhum jogador, vai acabar o ano com um time envelhecido, e sem uma estrutura tática e individual confiável.
Mas até isso seria normal para um grande clube, se não fosse o fato mais grave: termina o ano sem presidente e com um dono, que está fazendo a sua torcida fugir da Baixada.