Se eu fosse um colunista cujo blog, na média mensal bate em 90 mil visitas, e se no momento que escreve, às 16h em pleno feriado de 1º de maio o seu texto do Atletiba, já estivesse com 115 comentários; enfim, se eu fosse alguma coisa, daria um conselho ao senhor Paulo Autuori, treinador do Atlético: não conceda mais entrevistas nos próximos dias.
Não sei se Autuori percebeu, mas anda falando demais e o que não deve. Em menos de quinze dias, falou: “Não coloquei no meu currículo o título de 2016”, desprezando uma conquista importante para o torcedor, e embutindo o desprezo do estadual de 2017. Não sabe que a história do Atlético escrita e a ser escrita é mais importante que o seu currículo. Depois falou: “Estou me lixando para a Libertadores. Eu só penso no Atletiba”.
Ao escalar o Furacão com seis reservas, permitiu que a arquibancada fizesse a interpretação correta de suas intenções: o Furacão, que se dane no Atletiba! Se não foi isso que pensou, deveria saber que o Atletiba é tão caro para o povo, que se transformou em uma instituição imaterial de Curitiba.
Como desculpa, o professor disse que “o time só estava com a cabeça na Libertadores”. Entre o seu ato e a suas consequências, há nessa frase, a confissão da sua própria mentira: do time que venceu o Flamengo, Zé Ivaldo e Eduardo da Silva estavam no banco, e Lucho González, Otávio eThiago Heleno, estavam em casa. E se “o time estava com a cabeça na Libertadores”, escancarou a deficiência que um treinador não pode ter, que é a incapacidade de disciplinar a emoção do ser humano para não associar um evento ao outro, o que é comum no futebol.
Já começo a desconfiar, que Autuori está criando artifícios do bom malandro carioca. Produzindo frases polêmicas, quer fantasiar um fato gravíssimo: passado quase um ano, não está conseguindo dar um padrão de jogo ao time. Na Libertadores, o Furacão está ganhando na superação, que é um estágio que compensa a falta de organização, virtude fundamental, que depende muito mais das circunstâncias (aqui, Baixada e torcida), do que da atuação de quem comanda. Contratado para fazer a “transição” de jogadores da base, o que fez até agora foi só trazer Jonathan, Carlos Alberto, Gedoz e Grafite.
Silêncio
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