Sicupira

Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível, é de Fernando Pessoa.

Sicupira faz hoje 70 anos de idade.

Seu nome de jogador está tão gravado na história como um fazedor de gols, que passou a soar bem. É agradável chamar Sicupira. Por ter sido tão grande jogando bola fez o craque ficar pequeno diante do ídolo. Com o tempo o ídolo está se indo embora, transitando para um estágio, que eterniza do homem, que é o da lenda.

Sicupira está virando lenda.

Há 40 anos a sua marca de 158 gols pelo Atlético continua sendo procurada, perseguida e sonhada por uma multidão de atacantes. E como se fosse uma fantasia ou algo imaginoso ninguém a consegue encontrá-la.

Sicupira será lenda. É que não será possível contar a sua história de 158 gols, no Atlético só com fatos jogados em linhas e entrelinhas. É preciso um pouco de fantasia quando uma verdade se torna inalterável por quarenta anos, tendendo à eternidade. Como no poema de Carlos Drummond de Andrade: “As coisas findas, muito mais lindas, essas ficarão”.

O Atlético joga hoje no Beira-Rio contra o Internacional.

Não tenho medo do Inter e nem do Beira-Rio. Tenho medo do Atlético.

Gosto de sonhar com meus valores. Pego o craque Sicupira aos 25 anos de idade, trago-o para o presente e escalo-o com a camisa 8 do Furacão no Beira-Rio. É um jogo jogado, comentou Otacilio Gonçalves, seu companheiro de sinuca. E aí acordo com uma imensa alegria: o Furacão venceu, com um gol de Sicupira. E nas ruas, então, encontro a maior torcida do Paraná gritando o nome do novo ídolo: Sicupira.

Ao ídolo do meu tempo de ilusão, os meus respeitos.

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