Os ingleses elegeram os 3 minutos iniciais de Garrincha contra “o futebol científico” da Rússia, na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, como os mais brilhantes de toda história do futebol.
O historiador que for reescrever a história do Coritiba terá que copiar os ingleses: os 7 minutos, dos 17 aos 23, dos Coxas no Atletiba do Couto Pereira, foram os mais brilhantes de toda a história do clube.
Não há lembranças de coisa igual.
Aos 17 minutos, em velocidade, Marcos Aurélio lançou Bill, que abusado, na área, com um toque ilusório tirou a zaga de jogo, e com um toque real colocou a bola no canto esquerdo. Aos 22, Marcos Aurélio bateu o escanteio na cabeça de Jonatas: 2 x 0. Aos 23, uma bola à meia altura alcançou o baixinho Davi, que de cabeça fez 3 x 0.
Perplexa, a maior torcida do Paraná viu o seu time desintegrado. E só não o viu humilhado, porque o Coritiba refreou o ímpeto e o argentino Nieto foi buscar de cabeça uma bola impossível cruzada por Paulinho, e fez o primeiro gol atleticano.
O atleticano de bom senso não deve ter sido iludido com o segundo gol de Nieto, de cabeça, aos 2 minutos da etapa final.
É que o bom senso, mesmo impregnado de paixão, não autoriza ter esperança de que um meio-campo com Rafael Santos e Fransérgio, capenga com Baier e omisso com Madson, não volte a falhar.
E Davi, fez o quarto gol. O goleiro Sílvio ainda fez duas defesas e evitou uma goleada real. Mas foi impossível, pelos sete minutos do Coxa, não imprimir um placar moral de 5 ou 6.
Atribuir o brilhantismo da vitória do Coritiba a outros fatores é reduzir o futebol à simples consequência do erro e dizer não às virtudes.
O Coritiba ganhou o turno. Para não vencer o segundo turno, ou perder o título em uma final extra, que provavelmente será no Couto Pereira, terá que cair muito. Não há previsão para esse fato.
E o Atlético? Esse é um outro problema. Gravíssimo. Ensina Nelson Rodrigues, que a vida dos homens e dos times depende, às vezes, de episódios que marcam, mesmo que sejam imperceptíveis.
Não gosto de constranger ninguém. Mas chegou o momento de Ênio Fornea Júnior antecipar algumas coisas dentro da Baixada. Dezembro ainda está muito longe.