Leia-se Oscar Wilde, em “A Decadência da Mentira”, e vai se concluir que a atitude criativa de mentir é um vírus que entra na composição da personalidade do homem, que recorre ao povo para ganhar o direito de exercer o poder. Embora o dramaturgo irlandês adote como referência os politicos, não descarta o ser humano, em geral. Com razão.

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O fato que se origina de um engano voluntário ou não sempre é descoberto, em especial, quando é usado como uma atitude criativa para se alcançar benefícios. Pode até demorar um pouco; pode, alongando-se por certo tempo, ganhar alguns traços de verdade. Mas chega um momento, que não podendo se sustentar, mostra a sua verdadeira cara, atendendo pelo verdadeiro nome: mentira.

Com a mágoa enorme que causa o rebaixamento no futebol, a torcida do Atlético deu o nome à solução para recuperar o sentimento de orgulho: Mário Celso Petraglia. Não era pela construção da Baixada, por que qualquer um com o dinheiro disponível por caixas públicos constrói uma obra. Foi porque Petraglia incentivou, embora não conseguindo, a renúncia de Marcos Malucelli pela eminente queda para a Segunda Divisão. Incentivou passeatas com um único discurso: a formação de um time de Série A.

Sete meses depois, mais de uma dezena de jogadores contratados, três técnicos, as promessas de Petraglia, já se pode concluir, foram uma mentira para ganhar a eleição e construir a obra cujo dinheiro já estava garantido. Ou se não foi mentira, foi pior: incompetência. O ato então se torna mais grave, por que se promete sem condições naturais de cumprir. Aí o conceito perde o caráter involuntário como tudo é no futebol por conta do idealismo, para se transformar em engodo.

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O resultado atual desse estado nos números: o Atlético estaria entre os quatro times que seriam rebaixados para a Terceira Divisão em 2012. Dirão que o Furacão não irá cair, concordo. Deus livre a torcida dessa desgraça. Mas o fato de estar nessa situação de momento, já constrange, humilha.

E a tendência é piorar essa situação, pois vitórias eventuais contra Ipatinga e ABC não significarão melhora. É que quando se quer corrigir, mas não há competência, piora. Agora mesmo, Petraglia contratou o zagueiro Luiz Alberto, um ex-jogador; os laterais Daniel, Maranhão e Saci, e o meio-campo João Paulo, que eram reservas dos seus times.

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O mais grave de tudo, é que o povo rubro-negro, embora tenha identificado o nome do problema, está calado. Paralisado, parece não saber o que fazer. Escondido, como sempre ocorreu nos períodos negros do clube, Petraglia fica mudo. Não há oposição, não há conselheiros atleticanos, mas somente os petraglistas e os sócios, que se comovem com mimos que recebem à domicilio do presidente. A agressão ao patrimônio vai contra o próprio Atlético. É crime, inclusive, contra o próprio coração.