Senhor dos anéis

A idéia imediata e única que se tem de uma parceiria no futebol, é o dinheiro: quanto é, e se é bom; ou se é pouco, quanto deveria ser.

A repercussão comercial de um negócio entre duas empresas quando de caráter oneroso, tem que ser analisada sobre outros aspectos. Pode ser que a sua importância vá além do benefício financeiro. Embora nunca seja acessório, o dinheiro pode ser tão importante quanto outros aspectos.

O Atlético vai receber dos japoneses o valor de 270 mil reais mensais para dar nome a Arena e identidade comercial a camisa. O negócio visto sob o aspecto econômico financeiro pode, em tese, não impressionar. É que essa juventude atleticana foi forjada pela cultura dos ?dois dígitos?, criada pelo Mário Celso Petraglia. Então, 270 mil reais por mês poderia ser um valor comum para ser cessionário de valores (nome de estádio e camisa) tão importantes.

Mas a análise não deve e não pode ser encerrada na frieza e no limites dos números. Primeiro porque o valor mensal é excelente na medida em que o Atlético, por mais que tenha se tornado de ponta no futebol brasileiro, e por mais que a Arena seja a referência de modernidade em um futebol de sucatas, não é possível se afastar da grande verdade: todo esse poder se ambienta nos limites de Curitiba.

O prestígio que o Atlético tem no Brasil não criou uma nova população, mas apenas o exemplo da ordem e do moderno.

Então, se o valor já é bom, torna-se ainda mais significativo diante da conquista vista sob outro aspecto: o de criar o juízo de convencimento ao mundo financeiro – de que as marcas Atlético e Arena da Baixada constituem trânsito para passar uma mensagem institucional e publicitária ao mercado.

Com o negócio, materializa-se a idéia de que marca Atlético, no conceito literal de produto, é forte. Os 270 mil reais por mês não o deixarão mais rico, embora exerçam influência na sua vida financeira ao pagar o custo mensal da caríssima Arena. Mas a parceria como negócio, com parceiro mundialmente conhecido, poderá fazer repercutir no futuro. Vai repercutir em um futuro que não demora muito.

Depois de alguns anos, ainda com algumas diferenças a serem resolvidas, enalteço Mário Celso Petraglia. Os japoneses não escolheram o Atlético aleatoriamente. Mário Celso é que os convenceu que o clube é o melhor caminho para introduzi-los no mercado.

Só que essa parceria, ou qualquer outra, em um futuro breve (amanhã) só dará certo se o Atlético atender uma exigência intransigente do futebol: ganhar títulos no campo. A velha convenção de que a última palavra é a vitória nunca será superada. Um clube, seja moderno ou não, em médio prazo não vive sem grandes jogadores e títulos.

A expectativa de ganhar, por maior que seja, como em 2004, não entra para a história.

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