Quando acadêmico na Direito da Federal, tinha lá os meus sonhos. Alguns ousados e ambiciosos, não nego. Entre esses estava o de ser um jurista igual ao meu professor Ivan Xavier Vianna. Confesso, que às vezes forçava o pensamento, imaginando-me com ele, um senhor do Direito. Até que certo dia, vendo-o com mais atenção pus-me no meu lugar. Só, então, conclui, que mais que ousado e ambicioso, sonhar um dia ser igual ao meu Professor, era ser pretensioso. Era a representação viva de sonhar com o impossível. Era quase um pecado, porque seria uma cópia imperfeita de tão brilhante pessoa.
Mas o professor Ivan não era só um Senhor do Direito. Era um Senhor da vida. Era tão especial como ser humano, que às vezes dava a impressão, que seu coração tinha sido escolhido por Deus para ser o único depósito de toda a bondade do mundo. Com procuração de Deus, distribuiu quase toda essa bondade na execução da sua vida. Repositório de sentimentos para praticar o bem, com certeza era. Mas impunha limites, não permitindo que os sentimentos ocupassem todo o seu coração. Um lugar especial sempre estava reservado por um valor especial da sua vida: o Clube Atlético Paranaense.
“Sinto mais longe o passado, sinto a saudade mais perto”, escreveu Fernando Pessoa. O meu Professor Ivan foi embora. Levou uma boa parte da bondade humana e um bom pedaço do Furacão. Foi tão imenso, que eu me contentei em ser nada.
À família do Professor Ivan, os meus respeitos.