Sem perdão

O presidente Mário Celso Petraglia pediu perdão pelo fracasso que fará o Atlético jogar o humilhante torneio da morte no Estadual. O pedido de perdão não é uma ação humana simples, é complexa. Como ato perfeito a sua exteriorização que se dá pelas palavras é irrelevante. A ação de pedir perdão exige um requisito: a intenção sincera e voluntária, que projeta o sentimento de arrependimento pelo erro praticado. E aí e por último, esse ato humano exige outro pressuposto, talvez o mais importante: a capacidade da pessoa em praticar esse ato.

Ao pedir perdão, Petráglia não pôs no exterior um sentimento voluntário e sincero. É que ele não tem o sentimento que projeta a sinceridade que o ato exige. O seu pedido foi uma manifestação artificial inerente às personalidades arbitrárias, que usam o perdão para proteger a si próprio.

Perdão como manifestação do sentimento sincero com a capacidade de reconhecer o erro, é o ato que as mães ensinam como aquele que “vem de dentro do coração”. Ás vezes, o silêncio é a forma mais sincera de pedir perdão. É a ação humana que não se preocupa em justificar o erro: é o “perdão puro”, no ensinamento de Santo Agostinho, em sua obra clássica “Confissões”.

Leia outra vez a carta de Petráglia e verá: o pedido de perdão vem a misturado a infeliz metáfora da queda do avião, e avança com a justificativa de que a base do time era a mesma que terminou em oitavo lugar o Brasileiro.

Petráglia usa a mentira para pedir perdão. A sua vocação para alterar o objetivo social do Atlético, trocando vitórias e títulos por negócio, usou a especulação como critério para comandar o futebol. É fato, não é opinião: por questões pessoais, acabou com a base que Mancini e Moraci haviam montado em 2013 e que reclama uma ou outra correção com as saídas de Everton e Baier. Depois fez do cargo de treinador, um brinquedo com Miguel Angel Portugal. Agora, de janeiro até março deste ano errou três vezes: ir fazer pré-temporada na Espanha com um time que não tinha condições de jogar pelo Atlético a temporada; e indo, não treinar regularmente por jogar quase todos os dias; e, voltando, mudar a proposta, acabar com o sub-23 que estava regular no Estadual, e colocar o “titular” sem nenhum preparo.

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