A Rádio Transamérica teve a sua linha de transmissão cortada, sua cabine lacrada e seus profissionais impedidos de entrar na Arena para transmitir Atlético e União Bandeirante. A motivação do ato foi clara: ao usar o termo “assalto no bolso da torcida do Atlético”, tendo como núcleo o aumento para 30 reais do preço do ingresso, o jornalista Airton Cordeiro teria ofendido todos os conselheiros de gestão e do deliberativo do clube.

Airton Cordeiro tem um histórico portentoso na imprensa esportiva do Paraná. Não apenas porque tem talento, mas porque foi sempre o ponto de referência de imparcialidade, honestidade e intransigência com a verdade. Suas críticas podem ter figuração técnica, mas nunca a intenção de ofender. Ao usar o termo “assalto”, longe estava de querer caracterizar o ato de subtração que materializa o tipo criminal. Sinto-me à vontade em defender Airton.

O ato praticado é abuso de poder, instrumento usado pelos poderosos para impedir e prosperar a busca da verdade. Colocar o Atlético a serviço de causas subalternas e de pouca transparência, é o que está se fazendo e não é de hoje. Petraglia é um grande amigo, a pessoa mais agradável, desde que lhe digam sim. Mas contrariá-lo é um verbo que nunca será transformado em um direito.

O ato de abusar do poder em censura à imprensa, transgride a lei e agride um dos direitos fundamentais da Constituição Federal, que é a liberdade de opinião. O direito a opinião e a informação é intocável e irregulável. Mas Petraglia não pensa assim. Age sem limites. Já processou Rosildo Portella, Carlos Alberto Pessoa (duas vezes) e Vinícius Coelho. Já proibiu Valmir Gomes de entrar na Arena. Sobrevive em razão da surda resignação de parte da imprensa, que ao invés de enfrentar o seu autoritarismo, prefere colocar panos quentes.

O que se pretende é jogar a liberdade de imprensa no mesmo saco desses interesses americanizados. Devemos, agora, ter coragem para mais tarde termos paz de consciência.

De primeira: A foto que ilustrou a espetacular primeira página da Tribuna do Paraná de segunda-feira, foi do fotógrafo Ciciro Back. Daquelas fotos que o tempo vai tornando histórica. A sua beleza não está na estética, mas no flagrante que colheu o olhar desesperado do torcedor como se tivesse na iminência de perder a própria vida.

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