Nos últimos tempos, foi a mesma história. O poder arbitrário deixa de ser presunçoso, faz-se humilde, confessa-se errante, e anuncia um novo projeto para o futebol. Até que o falso arranjo deu certo uma ou outra vez, porque os erros praticados no comando do futebol eram isolados. Os treinadores Levir Culpi, Antônio Lopes e Evaristo de Macedo conseguiram atacá-los, porque ainda remanesciam alguns meios, inclusive como reposições, como Washington, Lima, Aloísio, Jadson, Denis Marques e Fernandinho.
Só que os erros se acumularam, e agrupados, agora, vieram de uma só vez. O resultado está sendo esse martírio que a torcida atleticana está sofrendo: uma goleada na Arena, contra um Ipatinga da vida, em apenas uma semana, se torna uma grande mentira.
Só que ontem, no Mineirão, ao ser goleado (4 a 0) por um Galo sofrível, esse Atlético foi além: ao invés de provocar martírio, provocou vergonha. Quem dera permanecesse o estado de martírio, porque dele ainda é possível buscar a solução. Mas, quando a situação provoca vergonha no torcedor, é sinal que nada ou quase nada mais resta. Os erros do irresponsável gerenciamento do futebol privaram o time de um corpo. Agora o privam de uma alma, podando o seu espírito.
Não se deve atribuir a responsabilidade a Mário Sérgio, embora surpreenda a sua passividade diante do drama atleticano. No entanto, ao afirmar que “não exige reforços, porque precisa ser parceiro de um clube sem dinheiro”, surpreende negativamente. Sem querer, ao ser leal com o comando errante, é desleal com a torcida sofrida. Se existe um clube no futebol brasileiro que não pode se abstrair dos problemas por falta de dinheiro, é o Atlético, porque seu balanço oferece um superávit de R$ 30 milhões.
A derrota é um dos resultados do futebol, eis aí um consolo, mas que não serve para os atleticanos. Mas a derrota no Mineirão não foi um resultado simples de um jogo de futebol. Quando se poda o espírito pela intransigência do arbítrio, capaz até de tornar calar uma torcida, não há derrota. É que sem alma, não há mais o que se perder.