No futebol, ganhar ou não ganhar é tal como o ser ou não ser de Shakespeare: eis a questão. O Atlético perdeu o jogo (2 x 0) e a Copa do Brasil para o Flamengo, no Maracanã, transformando a conquista em uma ilusão, que não significa absolutamente nada.

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Como não se deve passar pelos fatos com pressa, é razoável entender que entre tantos equívocos o Furacão jogou sem ter a consciência de que poderia ganhar.

O Atlético merecia ganhar a Copa do Brasil até entrar em campo. Depois, fez tudo o que não poderia e o que não se esperava: aprisionou-se atrás, como se fosse o único meio de jogo. Esquecendo a chave por fora, não teve como sair. Foi mais: indolente, parecendo preso no gramado, retardou seus movimentos. Preparado só para se defender, subtraiu de si próprio as jogadas em velocidade com Marcelo e Ederson, que o levaram ao Maracanã.

Desorganizado por esse medo, com Botelho preso na defesa, isolou o seu lado esquerdo, sendo vítima, outra vez, da cultura conservadora do seu treinador Mancini, influenciado, com certeza, por Antônio Lopes. Errando com a substituição de Everton, mantendo Botelho esgotado (provocou pena no segundo gol do Flamengo) Mancini desregulou definitivamente o Furacão. Não fazia nem uma coisa nem outra; não se defendia e nem atacava com consciência.

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Bem por isso, nos minutos finais, atraiu para si mais do que um time de onze, mas uma massa humana constituída por trinta milhões de flamenguistas, representada por sessenta e cinco mil no Maracanã. Daí, 2 x 0. E só não foi de goleada humilhante por que Weverton, seu goleiro, fez três milagres, pegando bolas que um mortal não tinha obrigação de pegar.

Não há consolo para a derrota. No futebol, o sentimento da perda provável pode ser absorvido na próxima vitória. Mas o sentimento da perda, quando a vitória era próxima da certeza, ficando como marca. A frustração de que era possível ganhar a Copa sem qualquer fato casual foi o sentimento que ficou para a maior torcida de Curitiba.

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