No Janguitão, Atlético 1×0 Maringá.
O Furacão é mesmo um time dificil de decifrar. A única certeza é a de que não consegue se afastar da genética da dúvida. Eis que encheu a sua torcida de euforia, mas quase ia lhe fazendo uma maldade: jogando mal, ou quase não jogando, só ganhou porque o goleiro William falhou em lance de escanteio, dando a bola de rebote para Anderson Lopes marcar.
O Atlético ganhou, eis o que interessa, dirão. O futebol, às vezes, não deve ser assim tão frio.
Não se conforta só com o resumo da vitória. Reclama algo mais do que a obrigação.
Como no jogo de ontem. Foi em Curitiba, só com a sua torcida, em um campo de grama perfeita, com todos os seus astros e contra um adversário que luta contra seus próprios limites.
O jogo do Furacão foi mal jogado. Com uma ordem convencional, não fez jogadas pelo lado, caindo na atração do esquema fechado e de marcação do Maringá.
E, mais uma vez o treinador Cristovão Borges mostrou-se passivo diante da inoperância de Marcos Guilherme, que outra vez, perdido em campo, nada fez. Já havia se equivocado ao ter escalado Crysan no ataque. Com os dois, o Atlético perdeu um bom tempo de jogo.
Por estar nessa desordem, o Furacão precisou usar do expediente da bola aérea ou da bola parada pelas laterais e por Vinícius.
Um time sem destaque.
Chineses
Talvez, por respeito, os chineses até que foram humildes com o futebol brasileiro, limitando-se a levar nossos melhores jogadores (Jadson e Renato Augusto) de 2015. Em Portugal foram além do respeito: compraram o próprio futebol português, atraindo todos os clubes da segunda divisão para a área de seu domínio e de sua influência. Não podendo ser sócios compradores, usaram da alienação por cessão de todos os direitos sobre o torneio, o que na prática imobiliza todas os times como associações de corpo.
Na Espanha, o Atlético de Madrid só está conseguindo um equilíbrio no campeonato com Barcelona e Real, porque 45% dos seus direitos foram comprados pelos chineses. A grande surpresa da Premier League, da Inglaterra é o pequeno Leicester, que contínua líder em razão da forte influência de Pequim.
Até pouco tempo, no futebol brasileiro, a hipótese ou era indesejada ou era delirante em razão da intransigência da paixão do torcedor por seu clube.
O futebol brasileiro anda tão esvaziado, que logo os clubes vão perder a natureza de associação. A crise é tão intensa, as soluções são tão raras que não haverá outro caminho. E se pudéssemos sonhar com os chineses? Sonhando, pergunto: e se os chineses comprassem o Furacão?