Na Vila Capanema, Paraná 0x2 Santos.
Não deve ser fácil a vida dos jogadores tricolores. Se não bastasse a lanterna, que em vez de iluminar, constrange e humilha; se não bastasse o salário em atraso, enquanto o presidente Leonardo, como interventor, recebe em dia na boca do caixa; se não bastasse a consciência de que a matemática por mais lógica que seja como ciência, só acena com esperanças impossíveis; se não bastasse a humilhante perspectiva de levarem o Paraná a ser “o pior” dos rebaixados de todos os tempos; se não bastasse muitas outras coisas, é preciso pedir compreensão impossível para uma derrota injusta, como essa para o Santos.
O Paraná para o seu padrão, até que fazia um bom jogo. No primeiro tempo, foi o que criou a única chance, com um chute que parou na trave esquerda da meta do goleiro Vanderlei. No segundo, com a melhoria do Santos, tentava equilibrar as ações, sofreu o primeiro gol de Gabriel, de um lance de origem ilegal pela falta em Alex Santana.
Quando tudo acontece contra o justo, a injustiça dá as caras. Quando dominava o jogo e tornava iminente o empate, o Paraná submeteu-se ao talento de Gabriel, que completou o cruzamento de Derlis González.
Outra vez, a torcida pediu a saída de Pastana.
Pede uma solução eventual. Pastana não é o mais grave dos problemas. O pior de todos os problemas é a reeleição de Leonardo Oliveira, que só é boa para ele. Afinal, vai terminar esse mandato bem melhor de vida do que entrou. Enquanto isso, a torcida tricolor vai carregar a humilhação do clube que menos ganhou pontos em toda a história do futebol brasileiro.
Contra riscos
Se o Atlético perder hoje à noite para o Atlético Mineiro, no Independência, em Belo Horizonte, haverá quem o colocará, outra vez, sob o risco do rebaixamento. Talvez pode ser. Mas o risco não terá o potencial que tinha antes de Tiago Nunes. Para afastar-se daquele panorama provocado pela irresponsabilidade da dupla Petraglia-Diniz, foi preciso que o Furacão ganhasse partidas em sequência e quase esgotasse o seu direito de perder. Agora há uma situação sob controle, que pode influenciar até no comportamento emocional, sob o aspecto positivo do time. Não é daqueles jogos de ganhar ou morrer.
E é preciso que os atleticanos não se desviem da verdade: as vitórias na Baixada não tornaram o time individualmente melhor. O que o recuperou foi a racionalidade do treinador, que resgatou Jonathan, Lucho, Raphael Veiga e Pablo. O que se tem agora pode ser suficiente para manter-se sem trauma no grupo intermediário.