Gosto de sentir saudades por ter boas lembranças. Foi, assim, saudoso, quase melancólico que terminei de ver o filme vencedor do Oscar “Spotlight: Segredos Revelados”. Centrado em uma história real, mostra um grupo de jornalistas em Boston, que motivado pelo ideal do jornalismo investigativo, que para denunciar o abuso de crianças por padres católicos, corre atrás de testemunhas e documentos, quebra sigilos e mexe com um passado arquivado pelo poder da Igreja e conveniência da Justiça e do próprio jornal.
As lembranças que o filme provoca nos jornalistas da minha geração são tão intensas que vão ao fundo da alma. Saí do cinema com a vontade de entrar em uma redação de jornal. Entrando, ser chamado pelo diretor e pelo editor, discutir pauta, ouvir, questionar, sugerir, receber ordens, e depois sair catando, pelas ruas e gabinetes, as provas dos fatos. À certa altura, identifiquei-me com o personagem de Mark Ruffalo (Michael Rezendes), um simplório repórter que investiga e consegue os documentos que antecipa a publicação da denúncia. Tal como Michael, no extremo limite da ética, fazia horrores. Lembrei-me do meu tempo de repórter que investigava as coisas dos bastidores do futebol para concluir que faria tudo outra vez. Hoje, vivo e sofro com a frieza que causa ao jornalista a distância de uma redação.
Controle
Quando uma derrota como a que o Paraná sofreu contra o Coritiba (3×0) é absorvida com naturalidade, é sinal que se tomou consciência do real. Só assim um time é capaz de entender que lhe faltam recursos quando é mais exigido. As presenças de Demerson na zaga, Rafael Carioca na lateral e no meio e especialmente Leonardo no ataque lhe darão mais corpo. Mas, ainda, não terá o molde acabado para ganhar o Estadual e voltar ao Brasileiro.