Alecsandro, do Vasco, é um jogador comum. Limita as suas virtudes em jogadas eventuais dentro da área adversária, como no gol contra o Coritiba, em São Januário. Bem longe de lembrar seu pai.

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Lela era capaz de ir contra a natureza: baixinho e entroncado, às vezes parecendo gordinho, parecia inusitado, um ser do outro mundo. Jogando com a bola em velocidade ou não, correndo para ficar à espera do passe, dentro da área era fatal. Foi o seu gol no último minuto de jogo, contra Marola, do Santos, que fez o Coritiba seguir em frente e ganhar o título brasileiro de 1985.

Um dia, ao comemorar um gol, quis fazer uma graça diferente, improvisou gestos, com várias partes do corpo. Era mais ou menos assim: as mãos seguravam a face franzida e contraída, com a boca aberta, permitindo a projeção da língua para fora. E ao mesmo tempo, com uma perfeita combinação motora, sapateava diante da torcida emocionada. Tudo ilustrado por sua cabeleireira blackpower. Foguetinho, o melhor repórter coxa da época, imprimiu a marca que se eternizou: Lela Careta.

Nem a careta do pai, Alecsandro consegue imitar. E, talvez, nem queira. E se quisesse, não conseguiria. A careta de Lela era um fenômeno: não ofendia. Era simpática e, às vezes, tornava-se bela. É que seu autor era místico.

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