Petraglia promete anunciar que não será candidato a presidente do Atlético. Irá para o Deliberativo. Se isso fosse encenado no teatro como uma sátira esportiva, poderia ser um ótimo espetáculo. Ninguém seria obrigado a acreditar.
Bem que Petraglia poderia usar como motivo para não concorrer o fato de já teria realizado a sua obra, mesmo que ainda tenha hipotecado o patrimônio do Atlético; ou poderia dizer que, aos 72 anos de idade, está sem forças para se reinventar, inclusive para ganhar dos coxas. Mas Petraglia está dizendo que não irá concorrer porque “está cansado de ser xingado”.
O cargo, mesmo que seja secundário como é o de presidente do Conselho Deliberativo, é irrelevante quando se trata de Petraglia. Seja em razão da sua personalidade de excessos, que não o permite submeter-se à hierarquia, seja em razão de duas décadas de presença ostensiva, não será possível dissociar a sua figura dos resultados futuros administrativos e técnicos do Furacão. É evidente que o cartola não espera que alguém acredite que será um simples presidente de Conselho Deliberativo. Querer que os atleticanos acreditem, ao contrário, será tratá-los como imbecis.
Qualquer que seja o cargo que venha a exercer, e por mais autoridade que tenha o presidente de direito, a torcida sabe quem seguirá ditando os dias do Atlético. Se quiser continuar tendo poderes de comandar todos os negócios, Petraglia terá obrigatória e naturalmente ficar na linha de tiro: se o goleiro sofrer o gol, se o atacante perder o gol e se o time perder o jogo, a torcida terá apenas na cabeça e na ponta da língua o seu nome para gritar por socorro.
