Santos

Se com frequência eu faço de Mário Celso Petráglia o personagem central dos meus temas é porque ele é o presidente da maior associação esportiva do Paraná. Ser presidente do Atlético não é pouca coisa. É comandar um patrimônio material líquido de 600 milhões de reais, uma divida solidária de 300 milhões de reais, e um patrimônio abstrato, que é a paixão da maior torcida do Estado, que não tem preço. Lendo São Tomás de Aquino aprendi que, às vezes, as divergências unem mais do que as afinidades. É que na divergência há mais lealdade.

A crise dos coxas está me provocando preocupação quanto ao futuro do Atlético. E aí entra o Furacão no meu tema. Na Baixada é ano de eleição. Para mim seria cômodo em razão da coerência afirmar que o tempo de Petraglia terminou, e em dezembro será tempo de renovação. Não gosto de estar certo só pela coerência. Às vezes, e aí aprendi com nas “Confissões” de Santo Agostinho, na coerência há uma dose de injustiça. Daí eu pergunto: qual é o atleticano com capacidade intelectual, política e administrativa, que esteja disponível para administrar essa imensidão complexa que se tornou o Atlético? Pergunto isso, porque os coxas só com o objetivo de “renovar” com oposição juntaram várias facções para exercer o poder, e o que se vê é triste. Como bem resumiu o coxa Ricardo Guerra: “Se cuidados não forem tomados, há risco de guaranização do Coritiba”. Não há referência mais triste, no entanto, mais feliz do que o Guarani, que foi campeão brasileiro, perdeu o estádio e não consegue sair da terceira divisão.

Vou ao ponto e nele não voltarei. Na medida em que Enio Fornea Junior e Ademir Adur voluntariamente isolaram-se de qualquer processo (e com razão), não há um atleticano disponível com os requisitos necessários para ser presidente. E digo mais: e se fosse a hipótese de um ou de outro, não poderia sê-lo isolado. O próprio Petraglia terá que intervir na eleição de dezembro buscando recursos em pessoas que não estão no clube. As que estão que são bonecos, amanhã serão laranjas. Eu o conheço bem, esses o irritam. Bem por isso sabe de que o Atlético precisa de pessoas que contrariem-no em reuniões, que tenham visões divergentes, que ajudem a negociar, fazer política, ganhar jogos e títulos. Do contrário, alguém mais tarde irá se falar que o Atlético se “coxarinizou”.

De primeira

Domingo, dia 19, fará 40 anos que casei com Eliane. Imediatamente depois sabia que fiz a descoberta mais importante da minha vida. Como se o amor fosse uma equação, em Eliane encontrei a lógica e razão para viver. Sentimento tão grandioso sou incapaz de escondê-lo. Essa coluna volta a ser publicada no dia 30 de julho.

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