Quando era repórter de rádio, no jogo imediato do Atlético depois de uma derrota, perguntava ao treinador: “O time está abalado?”.
Hoje essa pergunta seria vazia e desnecessária. As coisas mudaram tanto, o mercantilismo deformou tanto os ideais, que o simbolismo de uma derrota só alcança a torcida.
O jogador atual absorve como fato natural os fracassos. Se têm a dimensão de derrotas como as do Furacão para o Coritiba, San Lorenzo e a goleada para o Bahia, têm a proteção do treinador, que assume a responsabilidade. E tomar seis gols vira folclore.
É isso: a condição emocional do jogador nos dias de hoje está muito mais associada ao dano financeiro, que uma derrota provoca, do que o dano à imagem do clube, ou o estrago que faz no sentimento do torcedor. Bem por isso posso garantir: o Atlético hoje à noite em Santiago, contra a Católica, estará emocionalmente tranquilo.
O que precisa, que é ser bem escalado e bem ordenado, não se pode garantir. Não há referência para projetar, em teoria, o Atlético de hoje. Já faz um mês que não ganha, em três jogos, tomou doze gols, abalando até o goleiro Weverton, a sua única garantia. O pretexto do uso da base reserva já não serve mais, porque um iniciante no futebol, sabe dizer que o motivo de fundo é a falta de jogo técnico e tático, que são inerentes aos times treinados por Autuori.
Vejam como é o futebol, e se não tenho razão. O Atlético, como qualquer outro clube brasileiro, tem uma obrigação relativa de seguir em frente em um torneio manhoso e cheio de esquema, como a Libertadores. Mas vem maltratando tanto a sua torcida, submetendo-a à humilhação, que seguir em frente tornou-se uma obrigação.
No meu tempo de repórter, nessa situação, eu perguntava ao presidente: “se perder hoje, a casa cai?”. Hoje, não sei, se faria essa pergunta. Talvez, não adiante.
Santiago
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