Sangue tupi

No jogo que deveria terminar no ataque, o Paraná estava caído, literalmente, na defesa. No jogo que deveria ganhar porque era o primeiro, e em casa, o Paraná perdeu de virada: 2×1.

Seria até normal por ser um jogo de Libertadores. Mas não é normal, em qualquer circunstância, perder como o Paraná perdeu na Vila. Para o Libertad, terceiro time do Paraguai, que o submeteu ao sangue tupi, como se estivesse jogando às margens do Lago de Ypacarai.

O Paraná não perdeu porque jogou mal. Perdeu porque foi, e é, inferior ao limitado time paraguaio. Para reverter a derrota, precisa de uma diferença de dois gols. Pelo jogo de ontem, que não deve ser diferente do jogo em Assunção, é eliminação anunciada.

Bem que o Paraná poderia ter dado outro rumo às coisas. Teve o domínio do primeiro tempo, teve um pênalti não marcado, mas Josiel, o goleador, é a sua referência equivocada para dar solução no ataque. Fez o gol em jogada em que Lima colocou Josiel na risca, sem goleiro.

Parece contradição, mas o gol enervou o Paraná. Neguete foi expulso por violência, e aí, ao querer o recompor na defesa, Zetti o decompôs: ao invés de sair Josiel, saiu Lima, que era o único atacante lúcido e com velocidade.

Se era para Josiel ficar, tinha que sair Gerson. Sem velocidade, e com dez, o Paraná recuou, e foi recuando, até autorizar o Libertad sempre – veja com quem, Marin, o colombiano, que tentou jogar no Atlético – atacar e criar as jogadas de gol contra Flávio.

Uma cabeçada inapelável de Barone no final colocou um lenço branco, em cada mão dos nove mil torcedores, que foram a Vila Capanema.

E no final, um par de pingado de paraguaios nas gerais, cantou os versos de José Fortuna:

?Quando eu for embora para bem distante  ?e chegar a hora de dizer adeus? fica nos meus braços só mais um instante ?deixa os meus lábios se unirem ao seus? Índia levarei saudade da felicidade que você deu?.

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