Todos os dias sou parado para responder uma pergunta: o que aconteceu, o que acontece e o que vai acontecer com Dagoberto? É um assunto que cansa, que constrange e que já não deve influenciar na vida do Atlético. Em respeito ao leitor, volto a ele não para dizer o que aconteceu, pois sabem; mas, o que acontece.

continua após a publicidade

De bom senso, a diretoria do Atlético entregou a solução do problema aos empresários de Dagoberto sugerindo os dois caminhos que restam: ou arrumam um negócio para Dagoberto no Brasil ou no Exterior, que atendam os interesses do jogador e do clube; ou Dagoberto transiga e aceite a prorrogação do contrato de acordo com a lei, a ordem judicial. E neste caso, o Atlético transigia fazendo uma revisão de valores.

O Atlético, pela primeira vez, deposita nas mãos de estranhos (no caso empresários), o direito de ação junto ao mercado para a solução de um caso. Por isso, e mostrando a sua absoluta honestidade, o afastou dos jogos para não subtrair do jogador o mercado brasileiro. Os empresários, na moita, dizem desconhecer tudo, mas saíram por aí oferecendo Dagoberto. Até ontem, não conseguindo sequer uma consulta formal do exterior, foram ao Morumbi, oferecendo-o ao São Paulo, que aceita negociar, mas sem litígio, embora tenha proposto uma carta de intenções, que teria sido assinada.

Bem resumido: antes, o Atlético era acusado de prejudicar o jogador por ser intransigente a qualquer negócio. Hoje, os empresários, que têm o poder de oferecer o jogador no mercado, não conseguem uma única proposta. Os advogados de Dagoberto não se opõem a nada, desde que recebam os honorários no que estão absolutamente corretos.

continua após a publicidade

Se existe um bandido na história, agora se sabe de que lado está.

De primeira: Uma das grandes inovações do novo Código Civil foi transformar em lei (artigo 187), o que já era possível pela doutrina: a indenização por abuso de direito. Vejam o caso de alguns empresários. Têm uma procuração para exercer a representação de um jogador, basicamente para assessorar em contrato ou em cessão. Mas, alguns extrapolam esses direitos, e querem negociar como se fossem titulares dos direitos que pertencem ao clube. Surge aí um exemplo do abuso de direito como causa para pedir indenização.

continua após a publicidade

O Atlético que buscou proteger os seus direitos na Justiça, deveria estudar uma reparação contra os danos que está tendo, financeiro e moral.