Os maiores crimes ocorrem na calada da madrugada. É que neste momento o povo está em repouso, sonhando que ao levantar encontrará um mundo mais justo.

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E desta vez não foi diferente. O crime, parecendo com hora marcada, foi rigorosamente na calada da madrugada. Alguns trambiques de diferentes proporções praticados pelos ?bruxos?, foram perdoados por alguns auditores do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, sob o argumento de que não existiam provas para condená-los.

Esses auditores não os condenaram por falta de prova, mas por falta de coragem, ou de caráter, ou desconhecimento na aplicação do Direito. São carapuças diversas. Cada um escolha a sua. Seja qual tenha sido o motivo, saíram comprometidos com o sistema, que deforma conceitos de ética pelo esporte e de respeito humano pelo torcedor.

?A falta de provas? em um julgamento desportivo disciplinar não tem o mesmo alcance de um julgamento na Justiça Criminal: nesta julga-se o ato praticado, exigindo a sua materialidade; naquele bastam os indícios para se caracterizar o desvio de comportamento, que violenta a ética desportiva. Julgar ?pela falta de provas? na Justiça Desportiva quando se trata de corrupção, é um exercício especulativo, covardemente protegido pela subjetividade.

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Seria necessária uma prova mais robusta do que o depoimento de Evandro Rogério Roman ou de José Carlos Marcondes? Testemunhos induvidosos, paradigmas morais de quem consegue por atributos pessoais passar ileso, mesmo convivendo nesse antro de delinqüentes, que roubam as ilusões das arquibancadas.

Puniram todos os ex e absolveram quem está na atividade. Despudor escancarado. O TJD como instituição saiu falido moralmente, porque embrulhou para pronta entrega uma decisão  mesquinha e imoral.

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A absolvição de quatro denunciados é uma mácula irreparável para quem trata com o Direito. Aumenta a extensão do caos da imoralidade. Ato brutal e patético, caricatura dolorosa da aplicação do Direito como trânsito da realização do justo.

A ardilosa mecânica da absolvição pela ?falta de provas? foi um tranco, um mecanismo só para enganar os trouxas, e preservar velhos interesses de antigos coronéis, que são sustentados pela arbitragem subornada.

As bandalheiras que só estavam no campo, e em encontros de bares e de shoppings, deram um salto, e foram parar em uma sala de julgamento. Os auditores faziam de conta que procuravam fazer justiça. Transformaram a Justiça em uma escola do faz-de-conta.

Tudo o que diz respeito à Justiça, alcança a todos nós. Direito, ensina o maior jurista brasileiro Miguel Reale, não é abstração, é necessidade natural, razão pela qual a jurisdição da ciência jurídica vai além dos tribunais.

O grandioso jornalista Alberto Dines no seu ?O circo no país dos bacharéis? escreve que a aplicação da lei não subentende só o conhecimento das leis, mas uma convivência integral com a noção de correção e legalidade.

Já havia um presságio de julgamento tramado. No final, orgulhosamente, deram um diploma de inocência para corruptos notórios, autorizando formalmente a arbitragem a continuar na marginalidade.