Há vinte anos não vejo e não falo com Cristóvão Borges. Dos meus tempos de repórter, Cristóvão Borges nem era da minha turma mais próxima, como eram Nivaldo, Renato Sá e Jorge Luiz (1983), e depois Nene e Marola (1985). Mas não obstantes a ausência e o tempo, minha admiração por ele cresceu porque teve como base o respeito.
Quem conhece Cristóvão não tem como descartá-lo como um exemplo do ser humano pretendido por Deus. A sua vida sempre foi repassada por um grau de integridade, que no mundo do futebol torna-se raro.
Nada conseguiu por acaso: acelerou as suas virtudes de berço, a sua capacidade profissional, com a humildade para ser o assistente de seu amigo Ricardo Gomes, e depois com estudos para ir além de um especulador de táticas, dos sentimentos que limitam a emoção do jogador como ser humano.
A personalidade de Cristóvão para comandar não se projeta pelos atos físicos, pelas manifestações extravagantes à beira do campo, do abuso hierárquico que intimida o jogador, da imposição de independência e intransigência em razão do cargo. A personalidade de Cristóvão projeta-se em seu estado bruto através das imensas virtudes que o tornam uma pessoa especial.
A contratação de Cristóvão mostra o quanto o presidente Mario Celso Petraglia está superado como dirigente. Pratica um ato certo com nove meses de atraso. Se em janeiro Cristóvão fosse o escolhido, hoje o Furacão não estaria lutando contra os fantasmas que foram criados pela péssima administração de Petraglia.
Cristóvão foi contratado porque Petraglia felizmente ganhou consciência de que o Atlético corre o risco de rebaixamento, o que iria ser fatal para as suas pretensões de continuar exercendo o poder arbitrário.
Os atleticanos que tenham paciência com Cristóvão, porque ele assumiu o CT do Caju em estado de terra arrasada, um time que se perdeu em uma semana porque foi criado sem estrutura.
Os atleticanos que tenham certeza: Cristóvão irá nos salvar.
