Veja o jogo só por ver: sem brilho, cansa e, certa altura, mal dá para esperar o seu final. Mas veja o mesmo jogo por dever de ofício: não existe time mais prático do que ele. Sob esse ângulo, e que é o mais importante no futebol de hoje, às vezes provoca encanto. Eis o Paraná.

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Como ontem à noitinha, na Vila, ganhou, sem brilho, do Palmeiras, sendo absolutamente brilhante sob o aspecto prático. Partir de um definitivo equilíbrio no exercício das funções de marcar e sair em velocidade dominou o Palmeiras, e ganhou de um a zero.

Dirão que foi um gol de bola parada (Careca), portanto, um gol de ocasião. É verdade, mas só quem adota um estilo como o Paraná transforma a jogada em busca do gol, inclusive a de bola parada, em regra. O gol, daí, deixa de ser uma eventualidade. Mas poderia ter sido aquele da letra de Josiel, ou do chute de Joelson, que foi parar na trave. Os melhores foram Beto e Goiano. E eu que nem sabia que Goiano ainda estava na praça.

Melancolia

Lembre o primeiro lance de ataque: Alan Bahia fica de frente para o gol com a bola e espaço, mas chuta-a na bandeira de escanteio. Lembre do lance final: esperava-se pelo milagroso gol de empate, e então Edno cobra a falta em frente da área. Querendo ser mais discreto que Bahia, mandou a bola no alto do mastro de bandeira do ?Machadão?. Coisa horrorosa.

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E, assim, o Atlético foi melancólico na derrota de Natal. E para essa melancolia concorreu diretamente Antônio Lopes. Para escalar Claiton, fez uma zoeira ainda maior no seu time: tirou Ferreira do meio e o colocou avançado no ataque. Ferreira, então, não foi nem meia nem atacante, deficiência que repercutiu diretamente em todo o time, que entrou sem nenhuma referência em campo.

O meio-campo que Lopes entendeu possível de escalar foi com Erandir, Alan Bahia, Claiton e Dinei. Repito: Erandir, Alan Bahia, Claiton e Dinei. O que ocorreu foi a inversão e o estrangulamento da mais nobre lição de Gandhi: o possível se tornou impossível.

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Mas Lopes, coitado, embora tenha concorrido para o fracasso de Natal, não é o culpado pela posição do Atlético. Insistir com Alan Bahia, Edno, Dinei, Erandir e ter que recorrer a João Leonardo e Marcelo é o que resta.

O grande problema do Atlético é não ter a seqüência mínima de vitórias, que são duas. Fazendo da vitória uma exceção, vai continuar entre os últimos. Quando conquistar duas vitórias seguidas pode diminuir essa angústia.

Petraglia precisa ganhar a consciência de que o tempo para terminar a história está ficando cada vez mais curto.