O locutor, daqueles de frases prontas, repetitivas, e narração em tom discursal (portanto, um chato), passou 90 minutos com a intenção de impor como origem, o jogo encantador do Atlético de Tiago Nunes a Fernando Diniz.

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A ignorância provoca injustiça, aprende-se na execução da vida. Bem por isso, quem não conhecendo a história, não pode buscar no passado, a base para explicar um acontecimento presente.

O Furacão de Tiago Nunes não tem absolutamente nada daquele de Fernando Diniz.

Diniz quis fantasiá-lo de Holanda de Cruyff, quis renovar a versão do futebol total: obrigando os jogadores a afastarem-se de suas características naturais, provocava movimentos só laterais sem disciplina de posições, usando a posse e a troca de bola como limites das virtudes para alcançar o domínio.

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Durante um jogo, depois de dar várias voltas ao mundo trocando passes, com a bola não saindo do mesmo lugar, só chegava ao gol adversário, com um chute de Carleto. Resultado: o Atlético Paranaense de Diniz passou quase a metade da sua vida no Brasileiro na vice lanterna do Brasileiro.

Tiago Nunes assumiu o comando de um time desintegrado, técnica, física, emocionalmente, e de jogadores dispersos como grupo. Em quinze dias conseguiu o que Diniz em seis meses não teve capacidade: fazer o Furacão, com os mesmos jogadores, ser um time, jogar, como um time, vencer como time, aproximá-lo da perfeição, que pela média de pontos que ganhou depois da Copa, teria disputado o título brasileiro com o Palmeiras.

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O que tem de Diniz nesse Furacão de Nunes?

Nada, absolutamente nada. Se restou uma herança alheia nesse Atlético de Nunes, foi deixada por Paulo Autuori, que além de contratá-lo, determinou que sistemas leves que prioriza a troca de bolas como fator de envolvimento do adversário, fosse adotado nas categorias de base, sem abrir mão das características de cada jogador.

Com Diniz, Lucho González era um velho de 37 anos.

Com Tiago Nunes, Lucho González é um jovem de 37 anos e que está carregando o Furacão ao inédito título internacional.

Não há nada pior do que heróis oportunistas.

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