O tempo que passou foi tanto, que nem a torcida do Paraná lembra da última vez que foi a Vila Capanema ver o time jogar para ser líder. Durante esse tempo, a grandeza tricolor foi tão achatada que o estágio de hoje já recupera um pouco do orgulho jogado fora. Resta saber se já recuperou a capacidade de vencer, quando a vitória lhe é imposta por obrigação.
O Paraná diminuiu tanto nos anos passados, que perdeu alguns direitos. Hoje à noite, por exemplo, contra o Londrina, a pretensão de voltar ao que era não lhe dá o direito que é natural do futebol: o de fracassar.
Mas vejam só como é o futebol. Joga-se a liderança na Vila, mas o jogo mais importante é o do Coritiba, amanhã. Entre os motivos, há dois especiais: Alex volta oficialmente a campo, e se os Coxas ganharem, dependendo de Paraná x Londrina, pode confirmar o favoritismo ao título e assumir a liderança.
Depois da consagração no exterior, da fortuna que acumulou, das emoções que viveu nos campeonatos europeus, qual será o estado de espírito de Alex para um jogo de um campeonato sem expressão? Em outro time seria o estado de espírito de um profissional sério. No seu time de coração haverá uma mistura de profissional e ideal.
O Atlético joga em Toledo. Ouvindo a entrevista do presidente Petraglia passarei a tratar dos resultados do Furacão com indiferença neste Estadual. Petraglia chamou a competição de “campeonatinho”. Interpretada a expressão, a conclusão é única: o Atlético não tem interesse em disputar o título, mas apenas jogar o campeonato por obrigação legal, posição a qual me filio.
Mas a prevalência da decisão de apenas um é egoísmo, abuso de direito no exercício de uma função. A regra no futebol é atender o interesse geral, que é o da torcida, resumido em vitórias e conquistas.
Critica
Li tudo e todos sobre a tragédia de Santa Maria. Nenhum jornalista brasileiro fez uma critica do alcance do nosso Dante Mendonça, em “Noite Suja”, na Tribuna de ontem. A conclusão de que o grande escritor nos remete é única: existe um conluio entre as autoridades e os empresários da noite. Esses exploradores de jovens ilusões, incentivam o consumo de bebida e de droga protegidos por autorizações conseguidas em um balcão de negócio.