Qualquer análise que se pretenda projetar de um Atletiba, esbarra na histórica rivalidade. Bem por isso, recorre-se a velhos chavões, em especial, o de que em razão da sua natureza, o grande jogo não tem favorito. Pois ontem, fui fazer uma revisão dos Atletibas, usando como referência o Atletiba –  A paixão das multidões, a grande obra de Carneiro Neto e Vinícius Coelho.

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A conclusão é a de que a rivalidade, por mais influência que possa exercer, não passa de um relevante elemento histórico, que exerce muito mais influência do sentimento do torcedor, do que no resultado do jogo. Na prática, ela sempre foi superada pela lógica do futebol, porque são poucos os Atletibas que, terminado com um vencedor, não ganhou o melhor time de cada momento.

Mas não pense que o melhor era uma circunstância, como um fenômeno que se origina do imprevisto. Do imponderável, como escreve Vinícius Coelho. A vitória era do melhor por inteiro, e o melhor não era subjetivo, mas visto em razão da diferença da qualidade dos jogadores.

Amanhã, pelo Campeonato Brasileiro, tem Atletiba, às 16h, na Arena da Baixada. O jogo graduado com competição é constrangedor: os dois estão com o objetivo de afastaram-se da zona de rebaixamento. Os 2 pontos a mais do Coritiba, não sugerem desequilíbrio. Quando se obriga a adotar uma referência miúda, em que o objetivo é evitar a humilhação e não a consagração, então, não há como se cogitar de um melhor momento para esse ou aquele. Um time não deixa de ser ruim pelo fato de ser menos ruim.

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E não é só por isso, embora fosse suficiente para acabar com as teorias de favoritismo. A rivalidade já não se estende mais ao campo de jogo. Antes, ela poderia até influenciar, porque os jogadores eram dotados de idealismo e amor pela causa. Atleticano era Atlético, coxa-branca era Coritiba. O profissionalismo transformou o futebol em uma profissão com alguns caracteres de guerrilha, e o jogo passou a ser mais um. Um ou outro jogador, entendendo que o resultado não é só número, mas sentimento, é exceção. Assim e por isso, não existe favorito para este Atletiba da Arena. Poderia, remotamente, ser o Coritiba, em razão de Marcelinho Paraíba. Depende do jeito e do lugar em que uma bola cai no seu pé esquerdo. Mas, pode ser que bola bata na canela de Rafael Moura e entre.