Uma vitória do Cruzeiro seria resultado da lógica. É regra, de poucas exceções, o time do excelente treinador Adílson Batista ganhar no Mineirão. Mas se a lógica, nesse futebol de equilíbrio, contraria o seu princípio de que o melhor ganha, surge a circunstância de que o Atlético, fora da Arena, criou a regra da derrota.
Ainda assim, seja pela lógica, seja pelas circunstâncias, ou pelas duas que, no caso, quase se confundem; ou então, por um outro motivo que a falta de transparência atleticana não revela, a derrota seria normal.
Mas o Atlético já não tem mais argumento para justificar uma nova derrota. Não ganha há alguns jogos, enfrenta a indisciplina de jogadores, fato raro no CT do Caju, tem o seu treinador em desgraça com a torcida e, como conseqüência, a cada rodada é visto caindo na classificação.
O que estaria ocorrendo com o Atlético? O argumento único da falta de time já está esvaziado. No Rio de Janeiro, onde estou a trabalho, conversei com um já aposentado profissional, que diz não entender como esse time do Atlético não consegue ser regular. Por se tratar de um mestre e conhecer o Atlético, no fundo entende, só que, por ética, prefere a dúvida.
O problema do Atlético é de gerência do futebol. O treinador, seja qual for, é entregue ao mecanismo frio que emperra a máquina do CT do Caju. Se o treinador é frágil de personalidade, fica inseguro. O que o Atlético precisa é de um gerenciamento no futebol. Se o modelo antigo do dirigente está superado, que se atualize dentro do modelo atual. Mas que esse gerenciamento não seja apenas no sentido empresarial, que seja executado pela sabedoria, princípio irrevogável para se estabelecer a hierarquia e a ordem.
O resultado de hoje no Mineirão, mesmo que seja a vitória, não irá afastar essa necessidade, e o que é pior, necessidade básica, que contraria a idéia que se tem, de que o Atlético antecipou o seu futuro.