Com capa de profissional, seu conteúdo é de puro amadorismo. Não no sentido de ser saudável, mas pelo estado rasteiro, irresponsável e depreciado pela falta de respeito.
Por jogar em um campeonato assim, onde tudo pode, é que o Coritiba indicou o campo do Pinhão, em São José dos Pinhais, para jogar com o Paraná. E não se trata de um jogo qualquer. É um jogo de dois times populares, que desesperados precisam vencer para evitar a humilhação moral e final que irá significar a desclassificação.
Do Coritiba de Namur não seria possível esperar outra coisa. Os seus atos como clube são como o seu jogo como time, irresponsáveis. Restava que esse mínimo de bom senso estivesse na Federação Paranaense de Futebol, a responsável pela organização e direção do torneio. Mas, também, o bom senso é coisa do outro mundo na esfera de Hélio Cury. O seu argumento de que o Coritiba é que tem o mando e indica é frágil. E jogar um clássico decisivo no Pinhão, um campo de recreação de confrarias de final de semana, é abuso desse direito. A FPF poderia intervir.
Resta saber se o presidente do Tribunal de Justiça Desportva irá ter o mesmo zelo que pretendeu ter no Atletiba. Quando há um jogo de risco máximo como esse, provoca-se a questão de segurança. A autoridade possível agir de ofício. Desta vez não se trata da segurança do torcedor, porque num jogo de risco no Pinhão só irá quem não tem amor à vida. É da segurança dos jogadores. Diante do ambiente hostil no qual os dois clubes estão vivendo, a consequência de uma eliminação é imprevisível. A prova está na denúncia de que o menino Andrey, do Paraná, foi ameaçado de morte.
E onde está o sindicato dos atletas? Esse é um caso, que tinha obrigação de intervir. Talvez não esteja nas suas atribuições, que é cobrar contribuições e honorários de jogadores.
Se é irreversível o Pinhão, tem que ser sem torcida.
A responsabilidade por uma eventual tragédia é de todos: TJD, FPF, Coritiba e Sindicato.