Rigor da lei

Uma fase final de campeonato é carregada de simbolismo. Neste estão inseridos mais folclores do que verdades. Mas há verdades e a principal é a do exercício do poder. É da antiga que futebol não se ganha só no campo.

Atlético, Santos, São Paulo e Palmeiras estão disputando o título no campo, é certeza; mas fora dele uma guerra fria de poder está se travando. Os quatro finalistas pertencem a feudos que parecem indestrutíveis: o Atlético de Mário Celso Petráglia, o Palmeiras de Mustafá Contursi, o Santos da família Teixeira, e o São Paulo da velha guarda de cardeais que preserva o poder, independente de nome, desde o início da década de setenta.

A conquista do título brasileiro parece não depender apenas da vitória da técnica, da estrutura humana, da riqueza material e da força profissional, pressupostos transparentes para as conquistas. Mas significa depender, também, da vitória isolada de alguém no exercício do poder, preenchendo alguma lacuna de interesse. Move-se com a vitória técnica, para se alcançar um outro estágio fora de campo.

A remissão desses quatro para a final do campeonato, deflagra definitivamente o confronto político, que embora frio não é silencioso, que existe pelo poder maior entre os clubes no futebol brasileiro.

A pergunta que o atleticano faz é se os dois pontos que o Atlético tem de vantagem bastam para ganhar o título?

Derrota

Todos os treinadores são iguais, diz um antigo princípio. Para o bem ou para o mal, são os fazedores de alguns resultados. Às vezes é princípio verdadeiro.

O Paraná, presumivelmente por ordem do treinador Paulo Campos, jogava bem em São Caetano e dominava o Azulão. Depois, presumivelmente por ordem do mesmo Paulo Campos recuou, esperando o erro do adversário.

Pura ingenuidade, pois era mais certo de que quem erraria era o Paraná por ser inferior. Deu no que deu: o recuo aproximou o São Caetano e nem os milagres de Flávio desta vez salvaram.

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