O monte de dólares despejado pela MSI no Corinthians, sob o pretexto de cumprir um contrato de parceria, não provoca desconfiança apenas do Banco Central e da Polícia Federal. O argentino Julio Grondona, vice-presidente da Fifa, falou ao jornal Clarin: "Me parece que estes senhores vêem uma oportunidade comercial e aproveitam. Conheci tipos que tinham iates, mudavam de mulher a cada ano, eram donos de cabarés. Estamos em um mundo onde o normal é o anormal".

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A MSI no Corinthians nada mais faz do que a Parmalat fez usando o Palmeiras, com a diferença de que o disfarce dos italianos era impermeável em razão do negócio imediato que era a venda de laticínio. Só depois, com a prisão dos Tanzi, soube-se do objeto imediato da parceria.

Mas no Brasil só os parceiros estrangeiros devem ser investigados? O esvaziamento dos nossos clubes coincide com o aumento de riquezas de pessoas íntimas a eles. A expansão patrimonial de alguns clubes, ao invés de grandeza, atuam como máscara para o inchaço interno que consome jogadores com vendas apressadas para o exterior.

Vendem-se jogadores porque não existe outra fonte de renda, justificam os dirigentes. Desculpa velha, já em farrapos. Não se busca outra fonte de renda porque o interesse imediato é manter este ciclo de negócios. Atende-se mais o interesse privado (parceiro + dirigente) do que o interesse público (torcida). Os clubes deixam de ter um objetivo social, porque, propositadamente seus comandos fazem circular jogadores, desmontando e montando times sem critério. O critério é só no rateio do benefício da venda, sempre em desequilíbrio a favor do parceiro, cuja figura, às vezes, confunde-se com a do próprio dirigente.

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O Estado como ente legítimo para fiscalizar deveria ir além da MSI. Investigar o futebol brasileiro por completo, analisar os contratos de parceria, e responder porque o dinheiro dos clubes entra no Brasil, e dos parceiros não. Não é razoável que alguns dirigentes e empresários tenham mais liquidez em seus patrimônios, do que alguns clubes dos quais são parceiros.