Com o tempo, consegui me corrigir: deixar de ser sistemático à crítica negativa com um fato ou uma pessoa, ou com o fato e a pessoa. Aprendi que a análise reclama o motivo presente, mesmo que seja a repetição do fato provocado pela mesma pessoa. Assim, se for necessário usar antecedentes, deixa de ser sistemático. É um fato novo.
Faço essa preliminar para ajudar a torcida atleticana a enfrentar a grande dúvida que a domina:
o Atlético tem ou não tem time para disputar o Campeonato Brasileiro?
Pois lhe digo que não sei. E qualquer um, crítico público ou não, com consciência, não poderá correr o risco de dizer que o time é bom, regular ou ruim.
Em um esporte que se fundamenta no conjunto, a falha individual, às vezes, não é necessariamente da natureza do jogador. Ela pode decorrer da deficiência do conjunto, e aí se provoca a existência ou não da responsabilidade do treinador. É comum no esporte, e em especial no futebol, o jogador pensar que entendeu o técnico, mas erra ao executar a função.
Daniel Glomb é famoso como iatista, formou-se em Direito em Porto Alegre, e ainda está por lá defendendo tese. Antes é torcedor do Atlético, e eis o que me escreve: ?Vadão consegue fazer uma revolução para o mal com uma única alteração.? Refere-se à escala de Ferreira enfiado entre os beques do Fluminense. O treinador conseguiu fazer o que nem Renato Gaúcho, o adversário, havia concebido para esvaziar o Atlético?.
Então, respondo aos atleticanos: não sei o que espera pelo Atlético neste campeonato. Só tenho certeza de uma coisa: o Atlético, se não está no estágio zero, está em um estado de repouso, não mais do que um.
Depois de oito meses com Vadão, não tem padrão de jogo; não tem uma única jogada trazida dos treinos, que surpreenda, e que no futebol de equilíbrio é fundamental. Mais grave: quando precisa de uma ação emergencial durante o jogo, não pode esperar pelo treinador.
Dirão que estou escrevendo depois de uma terrível derrota.
Leiam minhas colunas de dezembro. Logo depois que Vadão renovou, escrevi que ainda havia tempo de mandá-lo embora.
Tomara que, o que era de errado, já tenha acontecido.
Teimo e temo a pensar que o pior pode vir acontecer.
Até agora os fracassos no estadual e na Copa do Brasil foram culpa direta de Vadão, que teve tudo à disposição, inclusive a transigência da diretoria pelos seus erros.
A partir de agora, qualquer fato negativo passa a ser responsabilidade de Petraglia e Fleury, se este ainda dá algum palpite.