Ouvi ontem uma entrevista do presidente Marcos Malucelli à CBN sobre contratações de jogadores.

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Às vezes discreto, outras vezes prudente, mas quase sempre tão humilde que quem não soubesse iria pensar que se tratava do presidente de um clube de terceira. No entanto, era o presidente do Clube Atlético Paranaense, o maior clube de futebol do Paraná.

Quero dizer que pela primeira vez fiquei preocupado com a postura do novo presidente. Entendi todas as razões, e irei entender outras, porque eu sei como as coisas se passam dentro do clube.

O que o presidente Malucelli não pode é que, para atender a obrigação de ser sincero diante da realidade, mostrar-se exageradamente discreto, quase pessimista.

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A conduta responsável não precisa ser falada. É demonstrada naturalmente por atos, que no seu conjunto serão compreendidos pelo torcedor.

No futebol o silêncio, às vezes, é um argumento melhor do que o fato real. Por exemplo, dizer que o Atlético só vai contratar dentro da sua realidade, é uma coisa bem diferente do que dizer que não vai contratar porque não tem dinheiro. Aquela significa responsabilidade, enquanto a falta de dinheiro, mesmo sendo real, soa como desculpa que deixa a torcida desconfortável.

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A propósito, entendo que o presidente Malucelli precisa se preservar. Tornou-se acessível demais para a imprensa, e isso leva ao desgaste, na medida em que o jornalismo de hoje se satisfaz com simples especulações.

E há ainda que se considerar um outro aspecto por coerência, que significa verdade absoluta. Uma das críticas que se fazia a Mário Celso Petraglia, era o seu isolamento, principalmente tratando de futebol. Reclamava-se a presença de um diretor, e através dele, se possível um gestor profissional.

O futebol do Atlético não tem um diretor. Malucelli é o presidente. E o clube é muito grande para se misturar funções. Daí para a volta do amadorismo, é um passo só.