Não concordamos quando nos falam, mas no fundo sabemos que é verdade: em cada um de nós existe uma ponta que nos coloca sempre em estágio de revanche em relação a alguém e por algum fato. O que não sabemos é o tamanho desta ponta. Mas que existe, não há dúvida. Brasil e Argentina decidem amanhã a Copa América, na Venezuela. É impossível que uma rivalidade tão graduada não crie esse estado de revanche. Às vezes, pelas circunstâncias, extrapola o limite e chega ao plano perigoso do revanchismo.

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Se o leitor me provocar para dar uma razão específica para encaminhar esse jogo como revanche, não saberei dizer. E, talvez, ninguém saiba, porque não existe um motivo específico.

É da natureza da relação entre brasileiros e argentinos.

É da cultura dos dois países, que em uma disputa, e no futebol

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em especial, não conseguem absorver como um fato natural. Daí é que se explica este fenômeno espiritual, que domina o exigente torcedor brasileiro. Nunca se praguejou contra o futebol de uma seleção, como contra essa de Dunga. Mas nunca irá se torcer tanto por uma seleção brasileira nos últimos tempos, como irá se torcer amanhã.

A Argentina desperta em nós solidariedade.

Desânimo

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Há muito tempo não ficava tão decepcionado com o Atlético. Aprendi, em 35 anos de Baixada, que ganhar e perder não é só inerente ao futebol como esporte, mas ao Atlético, em especial.

Só que a decepção agora vem, não em razão dos resultados em si, do ganhar e perder, mas pela origem desse estado, que está na absoluta indiferença do comando ao interesse da torcida.

Concordo que o Atlético não deve ser um pródigo do dinheiro que tem em caixa. Hoje é o clube de melhor gerência, porque é administrado com racionalidade.

No entanto, contraditório, esse comando parte do princípio que para administrar bem é só não gastar com o futebol. Está aí o engano, porque um grande time não se faz só com dinheiro, mas com planejamento.

Planeja-se tudo no Atlético, menos o seu principal veículo de venda que é o futebol.

É constrangedor ver o Atlético em campo.