Retrato do Brasil

O brasileiro está feliz porque a Seleção conquistou a Copa das Confederações. E está surpreso, porque a conquista foi sobre a Espanha, que chegou por aqui como imortal. O brasileiro deveria estar apenas feliz.

Ser feliz é um direito, em especial para quem se acostumou amparado por um penta mundial e um tetra da Copa das Confederações. Estar surpreso por uma vitória é um sentimento, mas não é um direito do povo brasileiro. Surpresa para quem tanto ganhou, teria que ser somente a derrota.

Mas há que se compreender o sentimento que provoca o inesperado. É, que entre tantos valores desperdiçados, estava o futebol, que, como ensinou Gilberto Freyre, deveria ser sempre preservado como a cédula de identidade nacional.

Nelson Rodrigues escreveu certa vez que “se vocês querem conhecer um povo, examinem o seu comportamento na vitória e na derrota”. É verdade. Desprezou-se tanto o futebol como valor do povo, que parecíamos ignorar o significado da vitória. Por termos perdido o orgulho próprio, esquecemos que quem é dono da história somos nós e não os espanhóis. O que precisávamos em campo e nas arquibancadas era o que a socióloga paulista Fátima Martin Rodrigues Ferreira Antunes conceitua como comportamento espiritual, que é a não-aceitação de derrotado, mesmo sendo vítima, como é o caso atual do povo brasileiro.

O Brasil foi perfeito no Maracanã. Mas não jogou mais e nem menos do que jogara em todas as suas conquistas. O Brasil ganhou porque teve tudo o que os espanhóis diziam ter – time e talento – e ainda teve mais o que ninguém tem: a história. Sempre que teve um craque, o Brasil ganhou a Copa. Em 1958, com Pelé; em 1962, com Garrincha; em 1970, com Pelé, Gerson e Tostão; em 1994, com Romário, e em 2002, com Ronaldo e Rivaldo.

Só não se garante uma conquista anunciada com Neymar, porque contra os argentinos de Messi e os “novos” alemães não bastam autoestima e história.

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