Um pouco meio sem jeito, parecendo um personagem saído de um conto de Machado de Assis, alguns coxas, amigos em especial, fazem a pergunta inevitável: será que o Coritiba vai para a segunda divisão?
Não iria responder por especulação, embora eu seja mestrado no assunto. Desde 2005, não faço outra coisa a não ser perguntar se meu time vai sobreviver.
Mas resolvi enfrentar o tema desde já (e é apenas terça-feira), porque a crônica de rádio passa o dia fazendo projeções, obrigatoriamente condicionadas à esse ou àquele fato.
A resposta não está nos números, pois esses são absolutamente favoráveis, na medida em que permitem o Coritiba depender apenas do seu jogo contra o Fluminense, no Couto.
A questão é outra e é única: o Coritiba tem futebol para ganhar do Fluminense?
Não é tão simples responder. Bem pesado, é impossível responder sem um risco enorme de erro. É que qualquer resposta tem obrigatoriamente que preceder uma outra: qual a razão do Coxa nos últimos dois jogos sofrer oito gols e marcar apenas um? A questão a ser respondida em teoria, tem que ter uma explicação prática, induvidosa para esses antecedentes terríveis, que remetem o Coritiba à esse drama.
Não adoto a notícia ou o boato de bastidor, que o problema é atraso de salário. Pois quem rege a discussão por essa hipótese, vai praticar uma ofensa à dignidade profissional do jogador.
O histórico coxa Alex, em sua coluna semanal no “coxanautas”, enfrentou esse tema, do qual extraio o aspecto nuclear: “A qualidade não é a esperada, não é a desejada. Não sou daqueles que apontam “mercenários”, sou daqueles que procuram qualidade onde existe. Se ela não existe, não há dinheiro no mundo que a compre. Qualidade técnica nem todos possuímos, mas dignidade todos temos para mostrar”.
Interpretem o texto de Alex, e terão a resposta. É a minha resposta.
Outra questão
A vitória do Atlético sobre o Botafogo, que o afastou da zona de rebaixamento, não pode jogar para debaixo do tapete um fato grande: a manifesta falta de comando nas categorias de base. Mais grave do que a falta de comando, é a ostensiva incompetência. Mais grave, ainda: os interesses que são centralizados entre coordenador e técnico, sempre em beneficio dos seus conterrâneos mineiros.
Não se pode desprezar o fato de que toda essa geração de Manoel, Alex Sandro, Marcelo, Patrick, Ronaldo, Neto e Bruno Costa, já tem uma vida de 5 anos no CT do Caju, portanto, do tempo de Mário Celso Petraglia. O mérito da atual diretoria foi ter a coragem de lançá-los. O fracasso das categorias de base nada mais é do que reflexo do gerenciamento interesseiro e incompetente.